Donna: o lado paizão de Rafael Kuerten Felipe Carneiro / Agência RBS/Agência RBS

Rafa com os gêmeos Gabriel e Leonardo e a filha Larissa. André, o caçula, fugiu na hora da foto

Foto: Felipe Carneiro / Agência RBS / Agência RBS

Para muitos ele pode até ser conhecido como o irmão de Guga, mas o título que Rafael Kuerten gosta mesmo é o de pai do Leonardo (15), do Gabriel (15), da Larissa (12) e do André (7). Paizão assumido, Rafa sempre sonhou com uma família grande ao lado da esposa Letícia. De cara, tiveram gêmeos! Desafio ampliado pelo fato deles nascerem prematuros e com necessidades especiais, mas que hoje é encarado com tanta naturalidade e leveza que inspira a todos como uma lição de vida. Rafa até brinca que trabalho mesmo quem dá é o caçula, que aliás não quis posar para a foto de jeito algum. 

Neste fim de semana dedicados aos pais, o empresário e tenista abriu as portas de casa e o coração para falar do amor em família, dos medos e das lembranças do pai Aldo Kuerten, que perdeu ainda criança, aos 11 anos.

Ter 4 filhos nos dias de hoje não é muito comum. Você e a Letícia planejaram isso? 
A gente sempre quis ter uma casa cheia e isso foi acontecendo naturalmente. Já começamos tendo gêmeos, depois veio uma menina, ficamos 5 anos sem ter outro filho e bateu aquela saudade, daí tivemos o André. Foi tudo planejado, assim como também decidimos não ter mais, vimos que o quinto não daria, a logística ficou complicada.

E como vocês fazem pra dar conta de tudo?
Não é fácil, ainda mais que a gente quer dar uma educação participativa, então os 4 realmente exigem bastante, mas foi o que a gente optou e no final dá tudo certo apesar da correria. Florianópolis ainda propicia você poder ter essa qualidade de vida com um monte de filhos, mas acho que vai ficar cada vez mais difícil.

Você é um pai participativo?
Quando você tem gêmeos não existe a opção de não ser participativo (risos). E era o que eu queria, eu tenho lembranças do meu pai muito colado na gente... eu sempre quis ser um pai! Nas minhas biografias, perfil na internet, sempre coloco "pai, tenista e empresário", ou seja, pai vem antes de tudo. Se eu tiver que deixar de fazer alguma coisa por causa deles eu vou deixar de fazer. Espero que eles também me vejam assim, participativo e importante (risos).

Você perdeu seu pai ainda criança, quais são as lembranças que tem e em quem se inspira para ser um bom pai?
Foram só 11 anos com ele, mas foram muito intensos, eu tenho muitas lembranças então ele não deixa de ser uma inspiração. Mas eu também tenho a minha mãe, que acabou assumindo esse lado de pai, então ela me inspira bastante. E a vida também nos ensina muito, que são as coisas do dia a dia que te movem, que te fazem feliz, todo o resto passa. Espero nessa missão de pai fazê-la muito bem.

Algum presente de dia dos pais marcante?
Meu primeiro dia dos pais foi muito intenso, os gêmeos tinham nascido e ainda estavam na UTI neonatal, dormindo na incubadora. Eu me recordo que eu comprei um relógio, que nem funciona mais e tenho até hoje... Um dia desses eu olhei ele e pensei "puxa como esse relógio é importante pra mim" (Rafa se emociona). Mas eu acho que os maiores presentes foram aqueles que eles fizeram com as próprias mãos, recortes, eu curto muito e vou guardando tudo.

Sua primeira experiência como pai foi logo de gêmeos e crianças especiais. Como foi lidar com essa notícia?
Nunca é fácil, tudo é mais difícil até por uma questão lógica, eles precisam do apoio da gente pra muitas coisas que depois não precisariam, mas não dá pra pensar no "se". Você acaba dando mais da sua energia, o seu 100% vira muito mais que se fosse uma vida mais fácil. Às vezes você olha uma pessoa de fora e acha que a vida dela é tranquila, mas ela talvez esteja no limite, e outros que você olha e pensa "como esse cara consegue" podem estar sobrando. Acho que você vai colocando os teus limites de acordo com as tuas tarefas, as tuas obrigações. Talvez o meu caçula tenha sido o que mais deu trabalho, até porque foi o quarto e veio cheio de energia.

O bacana é a forma como vocês fazem tudo em família, não enxergam limitações...
A ideia é essa, nós acabamos de voltar de uma viagem de férias pro Atacama e foi muito legal. Você imagina que uma viagem de mochila pra lá já seja legal, em casal interessante, com 4 filhos é mais ainda. Fomos com cadeiras de rodas e faltou espaço no deserto pra gente desbravar!

O que é mais gratificante e mais difícil na tarefa de ser pai?
O mais gratificante é o dia a dia, aqueles pequenos sorrisos, a hora que você participa de um estudo e vem uma nota boa, as conquistas diárias. E talvez o mais difícil hoje seja essa preocupação que a gente tem com segurança, eu tenho receio com meus filhos hoje, isso eu acho uma pena muito grande porque tira essa liberdade que a gente teve e gostaria que eles tivessem também.

Como se imagina daqui 20, 30 anos?
Com a mesa cheia! Se cada um tiver quatro filhos também fica interessante (risos). A família sempre unida, todos rindo juntos e chorando juntos, é o nosso lema e espero que continue assim por muitos e muitos anos.

Que futuro sonha pra eles?
Que sejam felizes, cada um da sua maneira, e que a gente consiga estar por perto. Eu vejo que filho é filho, tô com 43 anos e a minha mãe me considera um filhinho ainda (risos). Então espero que a gente possa estar nesse mundo tão grande e tão pequeno conectado com eles o tempo todo!

Assista ao vídeo com a entrevista:

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