Intelbras chega bilionária aos 40 anos Betina Humeres/

Foto: Betina Humeres

Uma das maiores empresas de SC e líder na maioria dos segmentos em que atua, a Intelbras, de São José, comemora 40 anos terça-feira. A companhia, que tem 2,3 mil colaboradores e faturou R$ 1,12 bilhão no ano passado, é uma das empresas catarinenses que menos sentem a crise atualmente. O presidente Altair Silvestri fala da trajetória e de um momento difícil que motivou uma virada para décadas de sucesso. Natural de Pedras Grandes, graduado em economia, o executivo está na empresa desde 1980. Atuou em diversas funções de liderança até chegar à presidência quando o empresário Jorge Freitas decidiu profissionalizar totalmente a gestão e ficar somente na presidência do conselho de administração. O aniversário da Intelbras será comemorado terça na empresa e com uma premiação a distribuidores neste fim de semana, no Costão do Santinho.

Como a empresa chega aos 40? 
A Intelbras foi adquirida pelo industrial Diomício Freitas, de Criciúma, que atuava nos setores de cerâmica e carbonífero. Logo passou a ser liderada por Jorge Freitas, neto de Diomício, que profissionalizou a empresa e agora preside o conselho de administração. Hoje lideramos praticamente todos os segmentos em que atuamos: em centrais de PABX, telefones, câmeras, gravadores de imagem e em centrais de alarmes monitoradas. Nosso parque fabril tem duas unidades em São José, uma em Manaus e outra em Santa Rita do Sapucaí (MG). Temos 2,3 mil colaboradores e exportamos para mais de 20 países.

Qual foi o faturamento em 2015?
Crescemos 13% nominal (incluindo a inflação) e faturamos R$ 1,12 bi em 2015.  Este ano projetamos crescer 15%.  Apesar de o dólar ter subido, boa parte dos nossos produtos têm queda de preço. Isso ocorre porque como cresce a procura de produtos para segurança no mundo, cada vez se produz mais, a escala fica melhor e os custos caem.    

Quais foram as fases mais difíceis?
No final de 1979, o grupo queria fechar a Intelbras porque estava dando prejuízo. Jorge Freitas pediu o prazo de um ano para recuperá-la. Ingressei na empresa em 1980. Fizemos muitas mudanças e em abril daquele mesmo ano ela começou a dar lucro. Exceção foi 1990, quando Collor tirou o dinheiro do mercado. As operadoras de telefonia  do setor público pararam de comprar equipamentos e nós mergulhamos numa crise violenta. Tínhamos 750 colaboradores e ficamos com 140. 

Como a empresa se reinventou?

Mudamos a gestão. Até 1991, era aquele modelo antigo: manda quem pode, obedece quem tem juízo. Então, fizemos um pacto. Foi feito um trabalho participativo, de muita confiança pela equipe. Era como a empresa não tivesse dono, diretor. Devíamos dois anos de faturamento e mais tarde nos tornamos uma empresa altamente saudável. 

A privatização da telefonia foi relevante para o crescimento?
Tivemos um boom entre 1999 e 2001 após a privatização da telefonia. Aproveitamos esse vento favorável. De 2001 a 2005, a empresa cresceu vegetativamente, mais na média da inflação. Aí percebemos que tínhamos liderança de mercado na área de telecom. Sentimos que para crescer precisava diversificar. Foi o que nos ajudou muito a sair da crise. Focamos em aparelhos telefônicos e PABX de pequeno porte. Concluímos que deveríamos ir para mercados adjacentes. Criamos várias empresas dentro da Intelbras. Temos 24 segmentos, cinco unidades de negócios. Câmeras de segurança eletrônica é um segmento, gravador de imagem é outro, aparelhos telefônicos também. Algumas coisas não deram certo. como computadores e aparelhos de celular. Não levamos adiante. 

Quais deram certo?
Os produtos de segurança, para redes, roteadores, rádios para banda larga, controles de acesso a empresas, fechaduras, eletroímã de bancos, itens de combate a incêndio e outros. 

Como a Intelbras trabalha a inovação?
Inovamos no relacionamento com o cliente, na forma de trabalhar, em processos. E a gente procura lançar produtos que são novidades no mercado nacional. Muitas vezes, adequamos produtos lançados no exterior para a realidade brasileira.  

E os investimentos?

Investimos nos últimos anos e temos uma capacidade produtiva importante. Este ano, nosso plano é aproveitar o máximo a capacidade que temos. Vamos focar em produtividade.  

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