Estratégias da Carmen Steffens para ser uma forte marca global de moda Cristiano Estrela/

Foto: Cristiano Estrela

 Como o empresário Mário Spaniol, fundador e presidente da Carmen Steffens, trabalha para transformar a marca de calçados e confecções numa grife desejada globalmente. Ele esteve em SC para inauguração de loja no Beiramar, em Florianópolis, e falou com a coluna. A empresa já está em 18 países, mas prioriza os mercados dos EUA e França. No Brasil, conta com 550 lojas, entre próprias e franqueadas. 

 Quais são os planos para a Carmen Steffens este ano?

Temos hoje 550 lojas e pretendemos, até o final do ano, chegar a 600. Teremos uma expansão em torno de 15% no Brasil este ano.  Das 550 lojas, 75 são próprias, mas todas sendo abertas e depois vendidas. Acreditamos muito no projeto que uma loja precisa ter dono porque nós, à distância, não conseguimos administrar tão bem como uma pessoa que torna aquilo o seu negócio. 

Por que a mudança na loja do Beiramar Shopping?

Tínhamos uma loja no modelo anterior, fizemos uma nova no conceito Maison, onde 60% é roupa e 40%, calçados e acessórios. Pretendemos abrir mais duas lojas neste shopping dentro do nosso conceito premium, com 70% de calçados, e a CS Club, novo projeto que lançamos e que já tem 60 lojas no Brasil. Também vamos abrir uma loja no Shopping Iguatemi e uma segunda no Itaguaçu. Em SC, estamos nas principais cidades, mas vamos crescer mais. 

Vocês lançarão linha de vestidos para festas?

No alto verão já deveremos ter vestidos de festa. Queremos entrar  forte nesse segmento. 

Como foi a sua trajetória empresarial e quais são os desafios futuros?

Sou gaúcho de Novo Hamburgo e mudei para Franca (SP) em 1980. Em 1986 eu já fornecia couro para grandes marcas internacionais, mas era um cara frustrado porque ninguém põe a marca do couro nos seus produtos. Em 1990 fui morar seis meses na Itália e conheci grandes marcas. Retornei com o sonho de montar uma fábrica de alto luxo no Brasil. Abri em 1993, mas somente em 1998 eu tinha três lojas e clientes importantes do Brasil. A Carmen Steffens é uma marca de luxo e exclusividade. Nossa essência é uma mulher de bem com a vida, que quer ser poderosa, se exibir.

Vocês estão conseguindo passar esse posicionamento de marca no Brasil e também no exterior?

Sim. Temos um projeto internacional todo focado nas melhores ruas, nos melhores shoppings, nos melhores pontos, em 50 cidades importantes do mundo. Por exemplo, este ano, em novembro, vamos abrir em Miami. Estamos em Las Vegas, em Los Angeles desde 2006. Estamos em Orlando, onde o mundo vai à Disney, e no Porto Rico, que é um Estado americano. Isso falando só dos EUA. Na França estamos em Cannes, Nice, Aix e Marcelle. Por que França? Porque é a meca da moda. De 250 marcas premium do mundo, 187 são francesas. Depois, vamos do México para baixo, que tem um clima tropical, ideal par ao nosso negócio, semelhante ao do Brasil.

 E a Ásia?

Vamos para lá em 2018. Singapura, Hong Kong, Seul, Tóquio e Xangai. São investimentos altos, a gente tem que ir por etapa. A gente está focado agora em consolidar a França e EUA. Ano que vem vamos entrar em Huston, em 2018 vamos entrar em Nova York num shopping center de US$ 24 bilhões, que vai ser o maior investimento mundial em shopping. Será em Manhattan, perto do Madson Square Garden. Maior shopping center do mundo, terá somente marcas de médio e alto luxo. A gente tem um pique de duas lojas por ano nos EUA, duas na França e vamos à Ásia.

Como a crise está afetando a empresa?

Temos o privilégio de vender para mulheres que não conseguem ficar uma semana sem comprar, público AB que está menos afetado pela crise porque mesmo que seja apertado ele tem lastro e a mulher não para de gastar. O homem para, mas a mulher não para. No ano passado, crescemos 10,1% nas mesmas lojas e 24% com expansão. No primeiro trimestre, não crescemos em mesmas lojas, foi mais difícil, e crescemos 8% com expansão. Mas a gente acredita que no verão isso vai se recuperar um pouco e a gente espera que esse impasse político acabe e a gente tenha um norte. Isso porque mudando a expectativa da população o país vai voltar a crescer. Nós estamos há 10 anos na Argentina. Quando o Macri ganhou a eleição, em 30 dias 24 pessoas nos procuraram para abrir loja. Antes, em três anos ninguém nos. Se percebe que o país vive da expectativa do seu povo. Se a expectativa melhorar, e eu acho que ela vai melhorar, nós vamos voltar a crescer.  

Vocês abriram uma fábrica de confecções em Criciúma. Há plano de expansão?Nós abrimos uma fábrica em Criciúma e vamos ampliar. Hoje, nossa unidade emprega 160 pessoas e também contrata facções da região. Todo o processo de matéria-prima, cortar, fazer aplique, isso é feito internamente. Abrimos em Criciúma após uma pesquisa sobre qualificação de mão de obra e cadeia de fornecedores. A gente estava entre Cianorte, no PR, e Criciúma, em SC. Estamos muito felizes, fabricamos mais 3 mil peças por dia. Vendemos 4 mil peças de roupas por dia, mas o tricô a gente faz em Minas. O jeans e todas as outras peças são feitas em Criciúma, com um padrão fantástico. E vamos crescer mais. Estamos pensando em alugar o prédio do lado para expandir a fábrica. A roupa tem um potencial enorme de crescimento. A mulher que ama o DNA da marca Carmen Steffens ama roupa. Tanto que estamos há dois anos nesse segmento e já fazemos 4 mil peças por dia. 

Quanto a empresa está investindo este ano?

No exterior, investimos cerca de US$ 5 milhões todo ano em abertura de lojas e pontos estratégicos. Cada loja lá fora, custa, em média, US$ 750 mil. No Brasil, estamos investindo na empresa perto de R$ 70 milhões este ano. Estamos montando uma mega fábrica em Pirapora, uma fábrica de 40 mil metros de área construída, de última geração. Também estamos adquirindo equipamentos específicos para a fábrica de Franca e para a de Criciúma. No ano que vem, vamos dobrar essa fábrica de Santa Catarina.  Geramos, hoje, 160 empregos em Criciúma, 250 em Pirapora e 3,5 mil em Franca. O crescimento maior vai ser em Criciúma e Pirapora. No ano passado, apesar do momento, contratamos 250 pessoas. Este ano, deve ser no mínimo 200. Se o cenário melhorar, voltaremos ao nosso ritmo de 300 pessoas contatadas ano, sem contar as franquias. Com a abertura de 50 lojas novas serão mais 350 pessoas contratadas. Então, temos perto de 4 mil na empresa e mais 4 mil nas lojas e franquias, o que soma 8 mil empregos diretos.

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