Experiência no Vale do Silício acelera startup em Florianópolis Diorgenes Pandini/

Foto: Diorgenes Pandini

O jovem empresário Tomás Ferrari (foto), 28 anos, CEO da Geek Hunter, é um dos que trazem a experiência de negócios do Vale do Silício para fortalecer o polo de tecnologia de SC. Ele é o fundador da Startup especializada em ajudar empresas a contratar os melhores profissionais de TI do mercado. Com sede na Incubadora Celta, de Florianópolis, e filial em São Paulo, a Geek Hunter iniciou atividades em julho do ano passado e já tem mais de 200 grandes empresas utilizando seus serviços.

Qual é o foco da Geek Hunter?

Nossa empresa nasceu voltada ao mercado de desenvolvedores (programadores) de tecnologia da informação, desde profissionais juniores até seniores. Mas, para o futuro, pensamos em abranger profissionais de outras áreas como UX e UI, voltados à experiência de usuário; cientistas de dados, profissionais de business inteligence e inside sales (de vendas). Nosso objetivo de curto prazo é só a área de tecnologia. 

Por que decidiu investir em startup na área de recursos humanos?

Eu tive experiências em empresas de tecnologia tanto no Brasil quanto nos EUA. Nos dois casos, enfrentei dificuldade muito grande para encontrar profissionais da área de tecnologia. Mas quando você necessita de profissionais realmente qualificados, essa dificuldade é muito maior. Isso gera um gasto muito grande porque você não tem profissionais para fechar projetos. As empresas perdem muito dinheiro com isso. A possibilidade de trazer tecnologia para esse processo me cativou muito, considerando modelo de negócios que estão surgindo no Vale do silício. Além disso, eu tinha uma grande vontade de empreender. Conheci alguns benchmarking, como a empresa Hired.com. A gente vê que eles entregam um valor muito grande nos EUA, Europa e Ásia. Então, decidi trazer esse negócio para o Brasil, com características locais. Vi a oportunidade de colocar o modelo de negócio em prática, testar no mercado e depois buscar pessoas competentes para fazer parte do time. 

Como foi sua trajetória?

Sou natural de São Paulo, cresci no interior de Goiás, mas fiz graduação em Engenharia de Materiais na UFSC. Ao final do curso tive oportunidade de ter uma experiência de um ano e meio nos EUA, estudando na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, quando eu tive uma experiência bem intensa, tanto no empreendedorismo da própria universidade, quanto por fazer parte do time de Chris Thompson, fundadorda TruBrain.com, uma startup de Los Angeles que atua no mundo todo. Trabalhei quando ele estava mudando o modelo de negócio. Fui uma das primeiras pessoas a fazer parte do grupo e acabei contribuindo desde o início. A gente troca muita informação até hoje. 

Quando a Geek Hunter iniciou atividades e como avança no mercado?

Iniciamos a operação da Geek Hunter em julho do ano passado. Nos esforçamos para aumentar a captação de potenciais investidores não só para crescer mais rápido, mas também agregar conhecimento para a nossa estratégia de negócios. Entre os nossos investidores-anjo estão Eduardo Smith, de Florianópolis (que foi vice-presidente do Grupo RBS), e outros de São Paulo. Quanto a clientes, hoje temos mais de 230 empresas na nossa plataforma. 

Como vocês trabalham?

Quando um profissional se cadastra na plataforma ele sabe que está num processo de seleção único e estará à frente de mais de 200 empresas de renome do mercado. Ele passa por um funil de seleção dentro da Geek Hunter. Temos algoritmos que passam por diversas características do perfil profissional que, se aprovado, vai dentro de um processo de teste de programação. O profissional também pode incluir um vídeo-entrevista sobre trabalhos passados e ambições futuras. Cerca de 5% são aprovados e ficarão diante das empresas que poderão convidar para entrevistas e contratar. A empresa só vai entrevistar o candidato que tem interesse na proposta de valor dela e na faixa de salário que ele poderia ter dentro da proposta final do processo de seleção. Isso dinamiza o processo pelo lado da empresa e traz profissionais altamente qualificados para a seleção em questão. Hoje, em média, uma empresa leva 48 dias para contratar um profissional especializado. Na Geek Hunter o prazo médio fica em 20 dias.

Como são feitas as inscrições? 

A empresa faz um cadastro na plataforma que vai permitir a ela ter acesso a todos os candidatos sem custo algum, ela pode entrevistar os candidatos e só vai ter custo se contratar o profissional. Se fizer a admissão, gera uma taxa de sucesso, equivalente ao primeiro salário do profissional. Há um prazo de três meses para ver se o profissional se adapta. Do lado do profissional, ele também vai passar por um cadastro e não tem custo para usar a plataforma. 

 Que números da empresa você destaca?

Uma das métricas analisadas é o número de convite de entrevistas na plataforma. Vamos chegar a 2016 com 2.200 convites. É até o final do ano, a soma das ofertas salariais deve chegar a R$ 20 milhões, com uma média de salários de R$ 8 mil a R$ 10 mil. 

 Em quais mercados vocês atuam e há planos para o exterior?

Hoje estamos em Florianópolis, São Paulo, Campinas e Belo Horizonte. Já realizamos contratações para os EUA, mas esse não é o foco. No exterior, pretendemos primeiro expandir para a América Latina.   

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