Apesar de polêmica, geração a carvão ainda é opção de energia firme contra apagões ABCM, Divulgação/

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Com o avanço do aquecimento global e a entrada em vigor dia 4 de novembro próximo do Acordo de Paris para os países reduzirem as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEEs), crescem as pressões de todos os lados para evitar mais CO2 e outros poluentes na atmosfera. O Brasil se comprometeu a reduzir em 37% as emissões de gases até 2015 e em 43% até 2030 tendo como base o ano de 2005. Um dos sonhos de muitos brasileiros, incluindo grandes grupos do setor energético, é abandonar definitivamente a geração a carvão, considerada uma das mais poluentes. 

Mas a falta de chuvas, a crise econômica e a falta de energia firme de fontes renováveis têm levado os planejadores do setor energético, especialmente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a preservar a geração a carvão, que no Brasil tem um dos menores percentuais do mundo no total da matriz energética.

 Representa apenas 1,4% do total de geração e cerca de 3,5% das emissões de GEEs de energia no Brasil hoje, segundo o presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), Fernando Zancan, também diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carvão de Santa Catarina. Segundo ele, em função da seca que atinge agora a Região Sul e da falta de uma nova linha de transmissão em Santa Catarina, é a geração da térmica Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, que está garantindo a estabilidade do sistema elétrico no Estado. Relatório do ONS da última semana informou que se as térmicas a carvão do Nordeste não estivessem operando – elas geram 1.400 MW – haveria apagão, porque a Hidrelétrica de Sobradinho, uma das maiores da região, está praticamente sem água.

Essas dificuldades todas pesaram na decisão dos senadores de aprovar, na última quarta-feira, a Medida Provisória (MP) 735/2016 que altera regras no setor elétrico e inclui incentivos para termelétricas movidas a carvão. Os representantes catarinenses Paulo Bauer, Dalírio Beber e Dario Berger, mais Ana Amélia Lemos e Lasier Martins do Rio Grande do Sul, lideraram a defesa desse incentivo, também para manter em atividade o setor que é forte nos dois Estados.

Outros acompanharam também atentos aos problemas energéticos do país, pois o ONS não deixou escrever em lei que o Brasil desligaria as térmicas a carvão em 2023. A expectativa, segundo Zancan, é que o presidente Michel Temer sancione a lei sem vetos.Na foto acima, os senadores Dalírio Beber (E) e Paulo Bauer (D) com Zancan (C). 

Usuários no mundo

Os ambientalistas brasileiros pressionam muito o setor energético para abandonar a geração a carvão. Mas países desenvolvidos têm muito mais a contribuir. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), Fernando Zancan, os EUA têm 39% da matriz energética proveniente do carvão, apesar dos esforços recentes. A Alemanha tem 44% e a China, 75%. No Brasil, todas as energias térmicas responderam por 31% das emissões totais econômicas em 2014, um dos anos em que foi necessário usar mais térmica. O projeto de modernização visa construir usinas a carvão menos poluentes e desativar as atuais, se possível.

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