Moradores de São Lourenço do Oeste, município com 23,5 mil habitantes quase no Extremo-Oeste de SC, divisa com o Paraná, foram surpreendidos ontem com a notícia de que a sua maior empresa, a Parati Alimentos, foi vendida por R$ 1,38 bilhão para a gigante americana Kellogg, líder mundial em cereais matinais. Empresários da cidade sabiam que a maior joia da indústria local era constantemente assediada por grupos de fora, por isso a oficialização do negócio não foi surpresa para eles, observou o presidente da Federação das Associações Empresariais do Estado (Facisc), Ernesto João Reck, um dos fortes nomes do empresariado local. Mas a população nem desconfiava do negócio, observou Gilberto Wohlfarth Junior, gerente-executivo da Associação Empresarial do município (Acislo). Por isso, nas redes sociais a venda foi o tema predominante ontem. A preocupação é se o novo controlador vai manter no município o negócio e os empregos. Afinal, trabalham na cidade cerca de 2,8 mil dos 3,2 mil colaboradores do grupo Ritmo Investimentos, controlador das empresas Parati, Pádua e Afical. Em entrevista para a coluna e ao DC, a futura dona da companhia  - o negócio ainda precisa do aval do Cade - disse que manterá todas as atividades e os projetos sociais.  
- Muitas vezes houve assédio de empresas querendo alguma negociação com a Parati, uma empresa sólida, com crescimento, bom mercado. Ela chegou num patamar onde investimentos são necessários e seus sócios optaram em vender. Há um sentimento de perda, afinal é uma empresa catarinense, mas se espera uma continuidade, com mais investimentos. Uma empresa nesse mercado tem que investir a todo momento em novos produtos - comentou Reck. 
O anúncio do negócio ocorre um ano após o falecimento de Angelo Fantin (87 anos), fundador do grupo que foi vítima de um AVC em outubro de 2015. Se o seu Angelo estivesse à frente do negócio seria mais difícil vender, observou Reck. 

Mauro Fantin, atual presidente da empresa, é mais o parecido com o pai mas, num consenso familiar, liderou a venda do grupo. O casal Angelo e Ida Fantin, além de Mauro, teve cinco filhas: Marisa, Marilu, Maristela, Márcia e Mônica. 
A expectativa é de que a empresa continue em São Lourenço, onde, junto com a Nutrisul, dona da marca Casaredo, forma um dos maiores polos de biscoitos do Brasil e garante um aroma de chocolate na cidade. 

Troca de mãos
Com a recessão profunda e a desvalorização do real frente ao dólar, as empresas brasileiras ficaram baratas para investidores externos. Em Santa Catarina, muitas empresas fundadas por pioneiros no Estado já trocaram de mãos nas últimas décadas. A torcida é que a Parati siga no Estado com sucesso, a exemplo da maioria. Entre as que têm esse perfil e foram vendidas nos últimos anos está a Dudalina, de Blumenau, maior camisaria da América Latina. Nesse caso, boa parte dos filhos da matriarca empreendedora Adelina Hess não está satisfeita com o atual rumo da empresa. 

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