Neoway, empresa de TI de SC, cresce nos EUA com softwares de ponta Cristiano Estrela/

Foto: Cristiano Estrela

Uma multinacional do polo de tecnologia de Florianópolis que brilha com softwares exclusivos é a Neoway, especializada em Big Data, isto é, informações para negócios. Fundada e presidida por Jaime de Paula, 55 anos, manezinho que é engenheiro eletricista e doutor em Inteligência Artificial pela UFSC, a empresa acaba de abrir filial em Nova York e foi elogiada pelo gigante Morgan Stanley. Confira a entrevista: 

Como funciona a plataforma da Neoway?

A nossa plataforma de software de Big Data coleta mais de 3 mil fontes de dados diferentes, com dois objetivos: ajudar nossos clientes a acharem clientes e reduzir riscos por meio do monitoramento de fraudes e recuperação de ativos. Hoje, entre nossos clientes no Brasil estão os principais bancos, seguradoras, empresas de óleo e gás e de bens de consumo. Até hoje, no país, foram abertas 34 milhões de empresas e 20 milhões estão ativas. Temos os dados de todas ativas e inativas. Se você quiser saber rapidamente quantos supermercados temos no país em atividade, nosso sistema vai informar que são 64.381. Podemos informar onde estão, número de empregados e uma série de outros dados. 

Quando abriu filial em Nova York?

Abrimos em novembro do ano passado, focada no mercado financeiro, com essas soluções de compliance e conhecimento para o cliente. Temos dois diretores lá e parceiros estratégicos que estão vendendo nossa plataforma. A aceitação é super boa. Fechamos clientes que a gente nem imaginava. No Morgan Stanley formos recebidos pelo famoso executivo Edward Lewis. Ele ficou uma hora e meia conosco e disse que nossa plataforma é única no mundo. 

E a filial da Califórnia?

Temos outra filial aberta em 2014 em San Francisco, na Califórnia. Fizemos isso depois de receber os aportes de capital dos fundos Accel Partners, Monashees e Endeavor Catalist, um total de US$ 18 milhões. O objetivo foi deixar o nosso pessoal mais conectado com o que está acontecendo de novidade no Silicon Valley, mais para capturar tecnologia. Além disso, estamos avaliando entrar nos mercados do México e Colômbia. Temos uma parceria com a Microsoft para usar a solução de cloud deles, a Azure. 

Quando o senhor fundou a empresa e como ela evoluiu?

Abri no final de 2002. Em 2009 lançamos a plataforma de Big Data. São nove sistemas integrados, toda uma plataforma de tecnologia desenvolvida em Florianópolis. Só um módulo nosso tem 26 softwares de inteligência artificial. Hoje temos uma equipe de aproximadamente 200 engenheiros de software trabalhando na matriz. São muito bem qualificados, graduados na UFSC, Unisul ou em São Paulo. 

Quanto vocês estão crescendo anualmente?

No ano passado crescemos 60% frente a 2015. No setor de construção civil avançamos 75% enquanto ele teve queda de 35%. Nós dobramos no segmento automotivo quando o setor caiu 20%. Isso porque nossa plataforma se propõe a achar clientes. Para este ano, nossa projeção é crescer no mínimo 50% em faturamento. O mercado de Big Data e Analytics é muito grande. Entre nossos clientes no Brasil estão a Portobello, Gerdau, Votorantim, Docol e outras.

Como foi sua trajetória no setor de TI?

Embora a minha formação seja de engenheiro eletricista e administrador na Esag – Udesc, quando saí da universidade fui direto trabalhar na área de tecnologia. Fui diretor de informática da Perdigão, trabalhei anos em Videira. Depois atuei na Cecrisa, na época do Antonio Maciel Neto. Daí saí para empreender. Montamos uma empresa de comércio eletrônico, vendi minha parte e fui fazer o meu doutorado na área de inteligência artificial. Na época não se falava em Big Data. Quando eu estava fazendo doutorado, tive a oportunidade de fazer um intercâmbio na polícia de Nova York, no tempo do prefeito Rudolph Giuliani. Lá, conheci o diretor de tecnologia da instituição (CIO) , James Onalfo, que tinha sido CIO da Kraft Foods, mesma função minha na Perdigão. Aí ele me orientou a sair da área de segurança e apostar em soluções com dados para empresas. O argumento dele é que o Brasil é continental e faltam dados para decisões empresariais. Voltei e foquei isso, integração de empresas num banco de dados. O primeiro cliente da Neoway foi a Portobello, que conseguiu, desde o início, resultados expressivos de crescimento usando nosso software que ajuda a achar clientes. 

E a entrada na Endeavor como foi?

Fizemos um processo para entrar na Endeavor Brasil. Me tornei Empreendedor Endeavor em 2012. Na nossa apresentação optei, no início, mostrar o nosso software. Três avaliadores me pediram o cartão porque se interessaram na tecnologia. Então o Laércio Cosentino, da Totvs, que coordenava a avaliação, disse que já estávamos aprovados. Em 2013, fomos defender a Neoway em Buenos Aires para ingressar na Endeavor Internacional. Também comecei mostrando o software antes da nossa apresentação de powerpoint. Uma avaliadora, professora do MIT, dos EUA, e diretora de um laboratório daquela instituição, ficou me questionando por 20 minutos. No final eu fui aprovado, mas ela disse que eu tinha um problema. Perguntou como eu fazia preço porque a nossa plataforma é única no mundo. Aí prometeu mandar uma equipe do MIT para isso. Eles vieram dois anos. Em 2016 não vieram por causa do zika vírus. 

Seus filhos já trabalham na empresa? Você desistiu de se aposentar?

Meus filhos já trabalham na Neoway. O Pedro atua em São Paulo, na área comercial. E o Lucas fica em Florianópolis, na área de tecnologia. Sobre aposentadoria, em 2009 decidi me aposentar. Fui morar em Miami, Flórida, para ficar jogando golfe. Mas em 15 dias fiquei cansado de ser aposentado, ficar apenas jogando golfe, e voltei a trabalhar. Eu acho que na condução executiva me dou mais um prazo, uns cinco anos. Depois, a minha ideia é ficar em conselhos. Hoje sou presidente da empresa e presidente do conselho de administração. 

Como avalia o polo de tecnologia de Florianópolis?

Acho que estamos numa fase legal de tecnologia no Brasil. Em Florianópolis temos 900 empresas no setor. Acabamos de criar na Acate uma aceleradora de empresas, a Darwin Starter. Os parceiros corporativos são a Neoway, Cetip, CNseg Par e RTM. Recebemos 350 inscrições e selecionamos 10 projetos. 

Acompanhe as publicações de Estela Benetti


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