Witschel viaja acompanhado de Stefan Traumann, cônsul geral da Alemanha no Sul do Brasil Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Há cinco meses no Brasil, mas com um excelente domínio do português, o novo embaixador da Alemanha no Brasil visita Santa Catarina esta semana. Ontem, esteve em Florianópolis, onde visitou o governador Raimundo Colombo, a Assembleia Legislativa e a Fiesc, entre outros compromissos. A agenda segue por Blumenau, Pomerode e Joinville, além de uma visita à sede da BMW, em Araquari. Em uma conversa com a coluna, ele avaliou o cenário da política global e fez uma leitura sobre o atual contexto brasileiro.

NEGÓCIOS COM SC
Sem nenhuma dúvida, Santa Catarina é um dos Estados extramamente interessantes do ponto de vista da relação com a Alemanha. Houve a imigração nos séculos 18 e 19 e há também um grande número de empresas com negócios entre Brasil e a Alemanha, além de investimentos fortes, como a BMW, a Siemens. Temos uma parceria entre o Estado alemão de Turíngia e SC, fechada em novembro do ano passado. Municípios alemães e catarinenses também têm parcerias, assim como escolas, universidades.

BREXIT E UNIÃO EUROPEIA
Não sei quando exatamente o governo britânico vai entregar a saída da União Europeia (UE), mas sem dúvida, neste ano, as negociações começarão. É uma perda para os britânicos e para os outros europeus. O Reino Unido é um dos melhores mercados para a Alemanha, exportamos muito para lá. Por isso, é uma perda. Porém, penso que pode ser uma oportunidade da comunidade tornar-se mais unida. Muitos cidadãos europeus se dão conta que a UE está em perigo. Mesmo com dúvidas sobre a política em Bruxelas, há a percepção que se um outro país, como a França, sair da UE, a comunidade poderia se desintegrar com sérias consequências para todos os países europeus. Com Marine Le Pen, na França, existe uma possibilidade de desintegração. É um choque. Brexit é uma realidade.

TRUMP E EUA
Os Estados Unidos estabeleceram nos últimos anos uma política muito pró-europeia. Foram uma âncora importante para a Otan, a UE, o livre comércio e a luta contra a mudança do clima. Com a posse de Donald Trump, observamos que ele está cumprindo o que prometeu. Entre essas promessas, o enfrentamento do acordo contra mudança do clima de Paris e a pouca disposição para fechar novos tratados de livre comércio. Para os europeus, são duas mensagens que não são necessariamente positivas. Porém, esperamos que possamos estabelecer com o governo Trump laços estreitos e convencer o novo governo da importância da Otan e de UE solidificada.

O BRASIL DA LAVA-JATO
O Brasil certamente não é um país chato. Houve o impeachment, depois a demissão de seis ou sete ministros, há também a Lava-Jato. Sempre há uma situação muito viva. Primeiramente, o impeachmente foi feito segundo a constituição. Eu não falo sobre motivos políticos, porque sempre há motivos políticos. Em segundo lugar, o governo está encaminhando algumas reformas importantes. A PEC do Teto dos Gastos não é fácil, mas absolutamente necessária. A reforma da previdência também é dura, mas sem ela, o sistema ira se desintegrar sem nenhuma dúvida. A reforma das leis trabalhistas também é necessária. A mesma coisa com relação à reforma tributária. Sem ela, não se pode aumentar a competitividade do Brasil. Esse governo pelo menos encaminhou essas reformas que são importantes. A inflação está caindo e pela primeira vez em muitos anos o patamar da taxa básica de juros está sendo reduzido. Por isso tudo penso que o governo está fazendo o que tem de fazer. A Alemanha é um parceiro estratégico do Brasil. Enquanto o governo for democrático, vamos cooperar. Entreguei um convite da chanceler Angela Merkel para o presidente Michel Temer para um encontro. Ainda não temos uma data, o que é extremamente difícil esse ano porque temos G-20 e eleições em setembro. Achamos uma data até o fim de maio.

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