Depois de registrar o primeiro prejuízo da sua história, a BRF, maior empresa catarinense, dona das marcas Sadia e Perdigão, muda estratégia para voltar ao lucro. A gestão inspirada no modelo da Ambev, com foco em redução de custos, e uma equipe de executivos sem experiência no agronegócio, levou a gigante ao prejuízo de R$ 372 milhões ano passado após registrar lucro líquido de R$ 2,9 bilhões em 2015. É claro que problemas no Brasil como a recessão profunda e o alto preço do milho pesaram, mas o presidente do conselho da companhia, Abilio Diniz, reconheceu que a gestão poderia ter sido melhor e está liderando mudanças. 

Há um consenso no mercado de que um dos erros da companhia foi não prestar atenção às operações, o que são complexas no caso de agroindústrias. Um antigo acionista da companhia me falou que esse é um grande problema, mas acredita que está sendo solucionado com a volta do executivo Eduardo D¿Ávila, que foi vice-presidente industrial da Sadia e entende muito de todo o processo desde o relacionamento com integrados até a produção. Um executivo que atua na concorrência também me falou de problemas operacionais. Outra falha, segundo o acionista, foi o descuido com a distribuição dos produtos no mercado. Falou que até no mercado público central de São Paulo falta produtos Sadia. 

As soluções estão sendo encaminhadas a partir de análises de um comitê de crise, integrado por Abilio, D¿Ávila, Walter Fontana Filho, ex-presidente da Sadia, José Carlos Magalhães, fundador da Tarpon e outros. Semana passada, saíram da empresa José Alexandre Borges, vice-presidente Financeiro e de Relações com o Mercado, e Rodrigo Vieira, vice-presidente de Marketing. A expectativa é de mais mudanças. 

Equilíbrio
A propósito, quando Abilio Diniz comprou ações da BRF e ingressou na empresa em 2013, houve um certo desconforto com a gestão anterior, o que fez com que todos daquele grupo se afastassem. O plano era obter maior média de lucro. Mas uma coisa é preciso reconhecer: a gestão equilibrada adotada pela Perdigão (hoje BRF) desde 1993, no estilo WEG, garantiu à empresa um voo seguro até essa nova diretoria assumir.

Só para lembrar: a Perdigão, em processo falimentar em 93, foi recuperada a partir de uma articulação de Eggon João da Silva, da WEG, que nos primeiros anos também foi o presidente da companhia. Pela importância e  complexidade do setor, é preciso experiência buscar e o equilíbrio para todos os envolvidos. 

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