Prováveis impactos da lista divulgada por Fachin na economia Carlos Humberto,STF/Divulgação

Foto: Carlos Humberto,STF / Divulgação

Veio mais abrangente do que se imaginava a lista do ministro do Supremo Edson Fachin sobre os envolvidos na delação da Odebrecht. Ela surpreende pelas figuras atingidas, inclusive de políticos catarinenses, embora todos digam que são inocentes e que poderão provar isso. Numa referência ao humor no mundo econômico, o efeito da lista parece em sintonia com uma célebre fase do megainvestidor Warren Buffett sobre problemas ocultos, a de que "você só descobre quem está nadando nu quando a maré baixa".

Os estragos dessa delação serão mais políticos do que econômicos porque a maioria das lideranças no governo e no Congresso não perderá mandato em função desse problema judicial. As reformas, especialmente da Previdência e Trabalhista, devem ser aprovadas, embora com uma demora maior. Os parlamentares devem aprová-las por duas razões: as últimas mudanças nos projetos estão atendendo pleitos e reduzindo a resistência da população; e também há interesse em melhorar o ambiente econômico para aumentar as chances dos candidatos a cargo eletivo no ano que vem.

Quanto aos investidores, a expectativa é de que mantenham os projetos para o Brasil apesar da lista. Isto porque o empresário decide mais de olho no equilíbrio das contas públicas no longo prazo. Então, se a reforma da Previdência viabilizar maior controle das contas nacionais, com redução de despesas, os investimentos virão depois dela. 

A economia brasileira é uma das maiores do mundo, tanto empresas nacionais quanto internacionais desejam crescer aqui, por isso esse ciclo de retomada do crescimento deve continuar, embora mais lento do que o desejável. 

No meio empresarial
As informações sobre o envolvimento de políticos catarinenses na lista de prováveis beneficiados por propinas da Odebrechet repercutem no meio empresarial. Para o presidente da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), Glauco José Côrte, a lista causa um forte impacto. Mas ele afirma que é preciso aguardar para que os citados tenham acesso aos termos das denúncias e sobre elas se pronunciem. É essencial que a verdade prevaleça, observou. O empresário acredita que haverá impacto na economia nacional. 

– Infelizmente, tem. A política está condicionando o desempenho da economia. Mas o país não pode ficar refém das incertezas políticas. O presidente, que não foi citado, tem que sanear o governo e tomar iniciativas que reencaminhem o país para a recuperação do crescimento – afirmou Côrte. 

No meio sindical
Haverá impacto na política e na economia, na avaliação do economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em SC, José Álvaro Cardoso. Segundo ele, a lista desmonta alguns mitos, um dos quais é que o problema da corrupção no Brasil era do PT, o que levou até ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.  

- O núcleo de poder que assumiu, todos eles ou já caíram ou estão nessa lista do Fachin. Então, isso, para mim, é revelador de que houve um golpe de Estado – observou Cardoso, que expressa preocupação com as propostas das reformas. 
Ele diz que acompanha a economia brasileira há 35 anos e avalia que as reformas propostas vão prejudicar cerca de 100 milhões de beneficiários da Previdência. 

Provar inocência
A princípio, de Norte da Sul do Brasil, os políticos incluídos na lista de Fachin estão dizendo que não têm culpa. Mas deverão fazer um grande esforço para provar inocência. Pelo menos foi o que sinalizou uma fonte da Lava-Jato para a colunista de economia do jornal O Globo, Miriam Leitão. Essa fonte falou para a jornalista que até agora não se encontrou mentira dita pelos delatores. Houve apenas omissão. O que contaram tem se confirmado até agora. 

Acompanhe as publicações de Estela Benetti


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