Gavazzoni, o supersecretário de Colombo e Luiz Henrique Diorgenes Pandini/Agencia RBS

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Não era por razão política que o advogado Antonio Gavazzoni ocupava a Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina. Era porque ele conseguia a melhor eficácia na arrecadação tributária, quase sempre uma média acima da nacional. Há anos, era conhecido como o supersecretário do governador Raimundo Colombo, mas essa característica foi reconhecida ainda no segundo governo de Luiz Henrique da Silveira, que antecedeu a atual gestão. Esse êxito na arrecadação, de combate à sonegação, foi obtido com a criação de grupos de auditores fiscais especialistas e uso intensivo cruzamento de dados graças à tecnologia. O desafio do governador, agora, é ter na Fazenda um titular capaz de dar continuidade a esse trabalho porque o equilíbrio fiscal é apontado por ele como um dos principais pilares da gestão. O escolhido foi Almir Gorges, auditor fiscal da pasta por 39 anos e que já liderou a mesma interinamente em várias oportunidades.  

Gavazzoni tinha a intenção de continuar na vida pública e até chegou a dizer que um dia pretendia se candidatar a governador do Estado. Mas como foi citado na delação da JBS como a pessoa que aproximou o governo do grupo dos irmãos Batista por ocasião da compra da Seara e no episódio da doação de R$ 10 milhões para a campanha de Colombo de 2014, decidiu sair do governo e se dedicar à advocacia. O delator Ricardo Saud afirmou que foi o Gavazzoni quem se responsabilizou em mandar alguém pegar R$ 2 milhões em espécie num supermercado da Capital. Em troca da doação, o governo ajudaria a holding J&F, dos Batista, a comprar a Casan. Tudo isso foi negado por ambos. 

Gavazzoni estreou no governo estadual no início da segunda gestão de Luiz Henrique da Silveira, em 2007, como secretário de Administração. Conseguiu reduzir custos e criar o Instituto de Previdência do Estado (Iprev) em 2008. Foi ganhando confiança e chegou à secretaria da Fazenda nos últimos anos daquele mandato, com Luiz Henrique e depois Leonel Pavan, após o afastamento do titular para concorrer ao Senado. 

No governo de Colombo, em 2011, não gostou de ser indicado para o cargo de secretário da Saúde enquanto Ubiratan Rezende foi para a Fazenda. Aí o governo ofereceu a presidência da Celesc, que ele aceitou. Como a Fazenda passou a não dar os resultados esperados na arrecadação, logo foi galgado para a pasta novamente, onde continuou até hoje. 

O secretário também ganhou projeção nacional ao ter atuação decisiva na reforma da Previdência do Estado em 2015. E principalmente porque no início do ano passado, passou a questionar os reajustes da dívida estadual junto à União e liderou negociações que resultaram numa postergação de dívidas com o governo federal, beneficiando todos os Estados. 

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