"É preciso oferecer dentro do shopping o que o consumidor não tem na internet"  Fernando Villadino / Divulgação/Divulgação

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Maior empresa de shopping centers do Sul do Brasil, o Grupo Almeida Junior, que nasceu em Blumenau e tem atuação focada em Santa Catarina, transferiu sua matriz para SC após 23 anos em São Paulo. O novo endereço é no Continente Shopping, em São José, na Grande Florianópolis

Nestes tempos de avanço de vendas virtuais, um dos focos do grupo é melhorar a eficiência de serviços ao consumidor, especialmente de lazer, junto aos seis empreendimentos. Além do Continente Shopping, tem o Neumarket e Norte em Blumenau, o Balneário Camboriú Shopping, Joinville Garten e o Nações Shopping, em Criciúma. Saiba mais na entrevista que fiz ontem com o presidente do grupo, Jaimes Almeida Junior, após a inauguração da sede. 


Por que a transferência da matriz do Grupo Almeida Junior para SC?
Primeiro, nós voltamos à nossa origem. Eu nasci em Florianópolis e a companhia começou em SC. Ela cumpriu o seu ciclo de preparo para o tamanho onde ela está, convivendo em São Paulo com vários players, fazendo networking com o setor varejista, o setor financeiro, se tornou uma companhia nacional focada no Estado, líder no Sul e líder no Estado. Com esse ciclo fechado, a ideia foi trazer a sede para Santa Catarina, Grande Florianópolis, trazer a nossa equipe corporativa para cá. Agora, o plano é gerar mais eficiência, ter tempo para olhar o negócio de forma mais próxima.

O senhor também mudou para o Estado?
Eu estou direto em Santa Catarina. Tenho ainda parte da família em São Paulo, minha filha e meu neto estão lá. Meu genro tem empresa em SP. Durante este ano, e em 2018, estamos fazendo um investimento forte na eficiência da empresa, em melhora contínua do mix dos shoppings dentro da vocação de atuar junto ao publico A e B. Um investimento importante no marketing focado para a nova realidade do consumidor. Quando você está bem próximo do consumidor, as percepções sobre a realidade desse consumidor são maiores. 

Como vê a realidade do consumidor hoje?
É preciso oferecer dentro do shopping o que o consumidor não tem na internet que é o prazer, a vivência, a convivência e a experiência. Na internet ele tem uma realidade mecânica para comprar produtos específicos. Está provado, por exemplo, que o setor do vestuário, por mais que tenha companhias que vendem pela internet, as pessoas querem tocar, sentir a textura antes de comprar. E o shopping é um equipamento adequado para isso. Os principais shoppings do mundo estão se tornando centros de convivência humana. Encontra amigos e familiares em cafés e restaurantes. 

A Almeida Junior tem como foco investir muito em entretenimento em seus shoppings este ano. Em Joinville, inauguramos dentro do Garten Shopping o Garten Hall, uma área de eventos importante. É uma forma de medir como funciona isso. O fato de estar presente, muito próximo, poderemos dar muito mais do que damos até agora. O sétimo shopping da empresa de 2017 até o segundo semestre de 2018 é eficiência, eficiência operacional nos shoppings e no grupo. É buscar menos vacância, maior faturamento, maior retorno ao lojista, mais marketing. 

Qual é a expectativa de crescimento para este ano já que o cenário segue difícil?
De janeiro até maio deste ano, os nossos shoppings, em vendas, cresceram 12% acima do nosso budget (orçamento). Isso é muito expressivo. É claro que teve fatores importantes como a liberação do Fundo de Garantia, inflação baixa, os juros baixando. Então, do lado da economia, existe o mundo real positivo. Do lado da política não, mas está tendo um certo descolamento.

Um dos próximos projetos do grupo é um shopping center em Chapecó. O senhor tem ideia de quando esse empreendimento será inaugurado?
Eu não posso prever quando será a inauguração porque imagino que a gente vai ter um ambiente econômico com sustentabilidade política a partir do segundo semestre do ano que vem. Nós não paramos. A gente está com o projeto pronto, vamos mostrar o projeto (para autoridades de Chapecó), mas aguardar o momento adequado. Ninguém, hoje, do setor, está começando um shopping. Você tem que ter lojista para abrir um shopping e o lojista está extremamente conservador no processo de expansão. Como existe um conservadorismo do varejo, uma retração da expansão dos importantes varejistas que sofreram muito no ano passado e, ao mesmo tempo, o custo do dinheiro está muito caro, a equação para poder começar um shopping novo não fecha. 

Enquanto espera a crise passar,o grupo tentará fazer aquisições de shoppings no Estado?
Estamos abertos. Quem quiser vender seu shopping, se para nós fizer sentido comprar, avaliaremos. 

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Almeida Junior focada em SC

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