"Inovação é criar valor, impactar o resultado", diz diretor da 3M Celesc/Divulgação

Foto: Celesc / Divulgação

Com mais de 50 mil produtos usados em milhares de atividades, a multinacional 3M, dos EUA, é considerada uma das empresas mais inovadoras do mundo. O Head Marketing da 3M Brasil, Luiz Eduardo Serafim, fez a palestra de abertura do evento Hackathon Celesc, nesta sexta-feira à noite. Ele afirma que toda empresa precisa ser inovadora hoje. 

Confira a entrevista para a coluna:

O que levou a 3M a se tornar uma das empresas mais inovadoras do mundo?

A 3M é uma empresa de empreendedores. Não nasceu de inventores, mas desenvolveu cedo esse espírito de empreendedorismo e encontrar o caminho das empresas inovadoras, que é estarem próximas dos usuários. Alguns funcionários lá no comecinho da empresa começaram isso. Em 1918, um gerente de vendas da 3M, quando ela só vendia lixas,  colocou o mantra de que para fazer produtos melhores era preciso estar ao lado do cliente para saber suas dificuldades e resolvê-las. Esse é um conceito super atual, mas ele já o aplicava naquela época. Com isso, criando um ambiente de confiança, com níveis hierárquicos em que as pessoas são estimuladas a apresentar idéias, é possível ser uma empresa inovadora. Depois das lixas vieram a fita crepe e a fita durex. São todas inovações nascidas de clientes porque a gente estava em ambiente de usuário. A partir dos anos 30, a empresa passou a considerar a inovação como uma estratégia, a cultivar os vários ingredientes que a tornaram inovadora. A 3M tem 115 anos, mas há 80 tem esse foco em inovação. 

Como foi a expansão da empresa pelo mundo?

A 3M nasceu em Minnesota, EUA. A partir dos anos 40 começou a se tornar global. A 3M do Brasil foi uma das primeiras subsidiárias. Hoje, a companhia atua em quase 200 países, com vários negócios. Daquela empresa com esse espírito de estar perto do cliente, valorizar a confiança e começar a estruturar esse clima de inovação que a gente fala, uma das principais alavancas foi a pesquisa e desenvolvimento. O investimento tecnológico é muito importante. 

Quanto vocês investem em pesquisa e desenvolvimento?

A gente investe 5,8% do valor das vendas globais. Dos mais de US$ 30 bilhões de dólares anuais, mais de 5% são alocados em pesquisa e desenvolvimento. Isso fez a 3M se tornar uma empresa de 50 mil itens. Ela saiu da lixa e da fita e foi para 50 mil itens destinados para saúde, segurança viária, consumo final, indústria e outros setores. 

Quanto por cento da receita da empresa depende de inovações recentes?

Há um fato interessante que ajuda a 3M ser uma empresa consistentemente inovadora. Por volta de 1950, ela conseguiu colocar a inovação como uma meta de crescimento. Então toda vez que o nosso presidente tem uma reunião com o conselho, eles colocam que 40% da receita da empresa têm que vir de novos produtos e serviços. A gente que gerencia unidade da empresa tem desafios específicos e essa pressão de indicadores com projetos de inovação. Por isso, é preciso estar próximo do cliente e fazer pesquisas para atingir a meta que já foi 30% e agora é de 40% das vendas virem de novos produtos, estabelecendo critérios do que é novo.

Como ter equipes inovadoras?

Eu costumo falar que para uma empresa ser inovadora de forma consistente, o principal ingrediente são as pessoas. É preciso investir muito nas lideranças e na seleção das pessoas que a empresa contrata. Eu entrei na 3M como trainee porque tinha uma identificação cultural e fui desenvolvido como líder. O objetivo é criar um ambiente de confiança onde as pessoas se sintam encorajadas a assumir desafios na empresa, criar um ambiente de liberdade onde todos possam se expressar, trazer idéias e questionar modelos sagrados. Outra coisa, a diversidade de pessoas é importante para trazer visões diferentes. Dentro da organização, é preciso estimular as pessoas para que nunca parem de aprender, precisam estudar sempre e trocar experiências. Elas vão criar soluções para problemas, isso é aplicar conhecimento. Eu diria que na 3M, o maior segredo é a rede de colaboração que temos dentro e fora da empresa. Outra coisa importante é a meritocracia. Se o colaborador é estimulado a trazer idéias, quando faz isso deve ser reconhecido para ter um impacto na carreira. 

Todas empresas podem ser inovadoras? 

Sem dúvida. No século XX, quando começou a se ter uma ideia de inovação conceitual, as que começaram foram a 3M, Basf e outras. Hoje, pelo dinamismo do ambiente competitivo, todo mundo tem que inovar, desde a panificadora da esquina, a indústria, a rádio. Inovação não é uma coisa só romântica e institucional. Ela precisa ser muito mais concreta, apesar do romantismo em torno do tema. É preciso olhar as oportunidades e angústias dos clientes. Toda empresa pode ser inovadora, e isso pode ser um processo muito concreto. Inovação é criar valor, impactar o resultado da empresa e dos clientes. 

Qual é a importância do design para a companhia?

O design é uma competência razoavelmente nova dentro da empresa. As empresas inovadoras do século XX eram geralmente químicas ou de tecnologia da informação. Temos aí a 3M, Bayer, GE, IBM. No século XXI, para sermos mais produtivos e eficientes tivemos que desenvolver outras competências. Uma delas é a capacidade de observar melhor as oportunidades do mercado melhor, usando pesquisas e outras ferramentas. O design thinking, que é uma metodologia mais ou menos recente, a gente incorporou na companhia há algum tempo. Há cinco anos, criamos uma função que é o chief design officer, que prioriza o design estético, mas muito mais do que isso, o design ajuda a entender a jornada do cliente no seu contexto.

Acompanhe as publicações de Estela Benetti
 Veja também
 
 Comente essa história