"Inovação em todos os segmentos é fundamental", diz novo líder da Facisc Diorgenes Pandini/Diário Catarinense

Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

A Federação das Associações Empresariais do Estado (Facisc), que une entidades empresariais voluntárias, vai trocar de comando dia 29 deste mês em evento no Golden Hotel, em São José. O empresário do setor de construção, advogado e professor universitário Jonny Zulauf (foto), de São Bento do Sul, vai suceder o industrial Ernesto João Reck, de São Lourenço do Oeste. Em dois anos de mandato Zulauf pretende focar educação, inovação e segurança. Ele também nega que há um racha na Facisc.    

Que programas da Facisc terão continuidade na sua gestão?
A federação tem uma estrutura grande com várias diretorias, uma parte executiva funcionando. Nem nos preocupa muito o lado operacional, que é bem estruturado. A última gestão cuidou disso de forma genial, com planejamento estratégico, controles e auditorias. Tudo para dar suporte a um dos maiores objetivos da entidade que é a representatividade. E, é claro, o presidente Ernesto Reck se dedicou muito à estruturação do trabalho da entidade e interiorização. A grande marca dele foi a valorização dos núcleos setoriais, com destaque para os núcleos de jovens empresários e as mulheres empreendedoras. Além disso, a entidade conta com diversos programas. Um exemplo é o DEL, que é uma parceria público- privada em que nós prestamos consultoria para as cidades melhorarem sua gestão. A Facisc é muito forte também em soluções, oferta de capacitação de pessoas, tanto empresários quanto seus empregados. Se a Federação se estruturou bem, levou isso em forma de espelho para as associações locais. Todas se beneficiaram. 

E os serviços serão mantidos?
Procuramos sempre sustentabilidade, ou seja, a venda de serviços para nos manter. Isso tudo será mantido. Nossa grande rede com mais de 30 mil empresas associadas recebe esses serviços em todo o Estado. A Federação se estruturou bem e levou também para as pequenas associações locais. Além disso, a União Europeia reconhece a Facisc como modelo para levar o desenvolvimento a pequenas empresas de outros países. Também temos com a União Europeia o projeto All Invest, para a troca de informações e relacionamento com entidades e lideranças. Outros pontos fortes da Facisc são os núcleos de jovens e de mulheres empreendedoras. Também queremos ter mais visibilidade porque representamos 140 associações do Estado. Por isso precisamos ter uma sede maior, para mostrar a nossa representatividade. 

Como está o projeto da nova sede?
Está em franco desenvolvimento. A parte estrutural está pronta. Agora vai para o acabamento. Temos um plano de inaugurar no  primeiro semestre do ano que vem. É uma sede em conjunto com a Associação Catarinense de Supermercados (Acats). 

O que terá de novidade?
Além de termos uma estrutura interna para abrigar todos nossos trabalhos, há algumas coisas que pretendemos fazer mais. A Facisc pretende ampliar a oferta de capacitação, treinamento e formação de pessoas. A nossa Fundação Empreender, que ainda tem sede em Joinville porque nasceu lá, virá conosco para a nova sede. Ela já tem uma referência muito grande que é o Programa de Gestão e Vivência Empresarial (PGVE). Professores das melhores instituições de São Paulo e Rio ministram matérias específicas e os empresários trocam idéias com eles. Dependendo de ontem o curso é realizado, há visita em empresas. Planejamos levar isso para todo o nosso Estado. Além disso, a Fundação Empreender seguirá fazendo missões internacionais. 

Como vocês vão trabalhar inovação?
É um asterisco em cima de atualização permanente. Temos duas vice-presidências setoriais não definidas e uma delas é a de inovação. Queremos alguém ligado a área e que nos estimule nesse sentido. Inovação em todos os segmentos é fundamental. SC precisa ter excelência em inovação, precisa disso à disposição. Um dos temas é a indústria 4.0 (IoT). Vamos ter isso bem forte. 
O senhor falou que criaria uma diretoria de segurança. Como será esse plano?
Haverá uma diretoria, que será chamada de Articulação Estratégica, e um dos temas que será cuidado é a segurança. Esse é um grande problema no Brasil, que gera perdas extraordinárias com furtos, roubos e outros obstáculos. A federação vai articular com as secretarias de Segurança, Justiça, Ministério Público e Assembleia Legislativa sobre isso. Temos uma pessoa extraordinária para assumir essa diretoria, que é o empresário Paulo Mattos, de Jaraguá do Sul

A Facisc teve uma divisão na eleição de 18 de agosto porque o empresário Doreni Caramori, de Florianópolis, não pode participar da chapa. Como o senhor vai unir a entidade de novo?
Havia uma articulação de um grupo de pessoas, lideradas pelo Doreni Caramori, nosso diretor financeiro, que tinha interesse em chegar à presidência da Facisc. Ele tem o grande mérito de ter estruturado a federação e não há dúvida quanto à postura dele aqui dentro. O que aconteceu é que havia a indicação do nosso nome junto com outros e as coisas foram se arranjando. Eu convidei Doreni Caramori para ser nosso vice-presidente. Ele aceitou. Mas requentaram uma situação de um problema de interpretação de gestão dele no município de Florianópolis. Quando saiu na imprensa que o escândalo da prefeitura espirra na Facisc foi criada uma situação nova. O conselho superior da entidade deliberou que essa situação não estava clara e pediu para eu abrir não do nome dele na chapa. Aí alguns amigos dele decidiram se afastar da Facisc. Eu continuo falando com o Doreni, esperamos que ele resolva essa e depois volte a participar da entidade. Não há racha na federação.

Como o senhor avalia o cenário econômico do pais?
É preciso passar essa fase ainda ruim da economia e retomar um crescimento maior. O empresário está sofrendo muito, se ele sofre, tem dificuldades para retomar investimentos, o setor público também sofre. Não existe recurso público. É tudo privado. Se o público faz gestão complicada na economia, o governo se complica e temos caos em todos os serviços. Temos muita gente com projetos engatilhados que aguardam porque a economia ainda está doente. Como professor de Direito Empresarial eu sempre digo que o maior desafio do empresário é o Estado grande, burocrático e caro. Uma das bandeiras da federação é diminuir o Estado, fazer com que ele faça mais com menos. Aplaudimos as privatizações.

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