Saúde, desenvolvimento e falta de gestão pública /

Os mais respeitados pensadores globais sobre o fim da pobreza, entre os quais o economista Jeffrey Sachs, consultor da ONU sobre o assunto, citam a necessidade de serviços de saúde e educação de qualidade para conseguir a virada rumo ao desenvolvimento econômico e social. Mas administradores públicos do Estado e do Brasil, incluindo os parlamentares, seguem ignorando isso. Enquanto não se empenham em fazer gestão eficaz, garantem recursos para despesas menos importantes, salários muito acima da média de mercado para o setor público e, não raras vezes, praticam corrupção inclusive na área de saúde. O déficit de R$ 508 milhões de recursos públicos enfrentado pelos serviços de saúde no Estado reflete o descaso com os mais pobres e a falta de gestão na área. 

Até agora, governo nenhum adotou uma fila transparente para cirurgias eletivas, por isso a dona Evanilde Duarte, 52 anos, entrevistada na reportagem do Diário Catarinense, está entre as milhares de pessoas sem atendimento. Ela espera cirurgia há seis anos, mas há quem espera há 10 anos ou mais. 

Saúde é prioridade. Por isso o setor público deveria começar primeiro com campanhas de prevenção. Quase nada é feito para orientar as pessoas a preservarem a saúde por meio da alimentação adequada e prática de atividade física. Também não há campanhas ou punições mais pesadas para prevenir acidentes de trânsito. Hospitais como o Regional de São José e o Celso Ramos não poderiam ter na sua lista mais de 50% de pacientes vítimas de acidentes de trânsito.

Nos postos de saúde, onde é feito o atendimento primário, as filas de madrugada já deveriam ter sido abolidas. Os dados de cada paciente deveriam estar num arquivo único para evitar repetição de exames, de consultas e de doações de medicamentos. A tecnologia permite isso, mas poucos municípios estão adotando. Nos hospitais, é necessário controlar melhor os custos gerais, evitar equipamentos parados e atender as demandas. Uma das formas pode ser com incentivo à produtividade.

Enquanto a gestão não é bem feita, o contribuinte paga uma carga tributária de país de primeiro mundo, mas segue com atendimento precário o sem nada. No primeiro mundo, todos têm serviços de saúde de qualidade. Em Santa Catarina, tanto o governo estadual quanto os municipais podem fazer muito mais se melhorarem a gestão. Precisam sair do comodismo e pensar nas necessidades de cada doente.  

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