"Quanto mais melhor", diz ex-presidente do Banco Central sobre reformas Alexandre Machado/Divulgação

Foto: Alexandre Machado / Divulgação

Ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga encerrou ontem, em São Paulo, o 18º Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Antes, falou com exclusividade para duas colunistas de economia do Sul, comigo e com Marta Sfredo, do jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul. Na palestra, ao falar da governança pública, disse que o desastre que ocorreu no Brasil não foi um sequestro do Estado por uma força política, mas uma parceria com setores do setor privado que representam "o Brasil velho". Ele também defendeu a privatização de todas as empresas estatais e melhorias na educação básica para o país ser mais competitivo. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Temos uma retomada da economia, mas não há um arcabouço que sustente isso no longo prazo. Que tipo de retomada é essa?
Essa é uma retomada cíclica, que no fundo espelha nada mais do que uma força natural de uma economia que foi muito fundo. Dá para dizer que (a economia) está quicando (saltando) de volta. Para que tenha continuidade, o investimento vai ter de se apresentar. A incerteza ainda é muito alta, e em função disso não é uma recuperação completa. Para que isso ocorra, vamos ter de aguardar a definição maior do ano que vem, as eleições.

Sobre essa retomada, há mérito da equipe econômica? 
Tem um aspecto, clássico, que é a política monetária. O Brasil vive uma profunda recessão, que tende a se dissipar, mas está longe ainda disso. O BC chegou, com equipe nova, sinalizando uma ancoragem forte da inflação. Essa combinação derrubou os preços e eles aí tem tido a chance de cortar muito o juro.

O senhor aceitaria ser o futuro ministro da Fazenda?
Já tive a honra, e já encarei o dever de me apresentar ao serviço público duas vezes, no BC e na campanha do Aécio (Neves) em 2014. Não penso nisso na verdade, mas se acontecer, tanto melhor, também não fujo, não."

Deve acontecer mais alguma coisa com relação a aprovação de reformas?
 Não está fácil prever, porque o clima em Brasília está muito tenso. Na área tributário, o que está aí em discussão é uma reforma do PIS/Cofins, que seria um teste para reformar o ICMS, que aí sim seria revolucionário. Sei que a equipe do Ministério da Fazenda já sinalizou que essa seria a sequência. Isso faz todo o sentido. Quanto mais melhor. Nessas alturas, embora alguns especialistas achem difícil ocorrer mais alguma coisa, não descarto a possibilidade de mais algumas coisas acontecerem.  

Mais governança
Atento às necessidades do avanço da governança nas empresas públicas e privadas, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) realizou um evento com foco nos problemas do presente e do futuro em função do mundo digital e inovações disruptivas. 

 — O evento foi maravilhoso e, em alguns aspectos assustador. O Brasil está atrasado no desenvolvimento de tecnologias digitais. Isso nos faz refletir e buscar contribuir para melhorias – afirmou o coordenador do IBGC em SC, o empresário Alfredo Burghi.  SC participou do evento com 18 lideranças do instituto, da Facisc e Acijs de Jaraguá e teve dois palestrantes, a empresária Sônia Hess e o presidente da Hering, Fábio Hering.   

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