Indústria está otimista para 2018, mas riscos políticos preocupam  Filipe Scotti/Fiesc,Divulgação

Foto: Filipe Scotti / Fiesc,Divulgação

Ao fazer um balanço sobre o ano de 2017 e perspectivas para 2018, o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), Glauco José Côrte, afirmou que o setor foi melhor do que a média nacional este ano, com crescimento de 4,1% da produção e de 2% nas vendas de janeiro a outubro e que há dois cenários para o ano que vem. Segundo ele, se a agenda de reformas continuar, especialmente com a aprovação da reforma da Previdência, o governo federal conseguir acelerar investimentos via concessões e as pesquisas apontarem que um candidato à presidência reformista terá mais chances de vencer a eleição, o crescimento do país será maior, com projeções em torno de 3% de alta do PIB. Mas se a mudança na Previdência não for aprovada e um candidato à presidência não reformista liderar as pesquisas, as turbulências podem aumentar e o cenário econômico piora.

Por enquanto, o que está puxando a tímida alta do Produto Interno Bruto (PIB) é o consumo das famílias, mas a expectativa é de que no ano que vem os investimentos voltem, impulsionando a oferta de mais empregos. Até porque a agricultura não vai ajudar como ocorreu este ano. Isto porque a previsão da safra de grãos é de queda superior a 9%, observou o presidente da Fiesc. 

Apesar da crise, a indústria catarinense manteve programa de investimento com mais de R$ 7 bilhões por ano nos dois últimos anos. Em breve, a federação fará uma pesquisa para verificar quanto disso foi executado. Mas para o ano que vem, Côrte está otimista.  

– A investe SC tem vários projetos de investidores que têm procurado o Estado e, certamente, Santa Catarina terá condições de um crescimento muito forte dos próximos anos em função desses novos investimentos na área industrial. Agora, para manter isso, precisamos dar continuidade às reformas. O investidor tem dinheiro, o mercado internacional tem liquidez, mas ele está olhando muito a questão do encaminhamento político do Brasil, quem será o próximo presidente – afirmou Côrte. 

Segundo ele, a taxa de investimentos do país, este ano, ficará em torno de 16% do Produto Interno Bruto, quando o necessário seria 10 pontos percentuais a mais, ou seja, 26% do PIB. 
Além dos números de crescimento acima da média nacional, a indústria catarinense se destacou em 2017 na geração de empregos. Dos 47 mil novos postos de trabalho abertos de janeiro a outubro, 29 mil foram da indústria de transformação. As projeções são de que em 2018 a economia do Estado cresça um pouco mais que a do Brasil e a indústria siga gerando mais empregos. Na opinião de Côrte, a queda da inflação e dos juros vão ajudar na recuperação da renda das famílias e isso vai melhorar o setor da construção civil, que depende disso. 

Observatório da indústria e inovação
Inaugurado há mais de um ano pela Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), o Observatório da Indústria superou expectativas em relação à busca de informações tanto pelas empresas do setor quanto por outros públicos, especialmente governos. Ontem à tarde, por volta das 16 horas, o portal era acessado por mais de 20 mil pessoas. Das 2 mil indústrias do Estado, 700 fazem pesquisas com mais frequência. Segundo o coordenador do observatório, Sidnei Rodrigues, as informações mais procuradas são os dados econômicos e as tendências mundiais de inovação que são disponibilizadas em tempo real. Ontem, o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, concedeu entrevista utilizando o painel do observatório para apresentar dados. Com o objetivo de ajudar as empresas na compreensão de cenários e tendências, o observatório lançou ontem a publicação Santa Catarina em Dados 2017, com análises setoriais. 

Previdência
Para o presidente da Fiesc, a resistência dos parlamentares catarinenses à reforma da Previdência reflete um clima do Congresso Nacional. 

– Há uma preocupação dos parlamentes de que isso pode prejudicar o desempenho eleitoral. Nós temos outra posição. Esse é o momento de os parlamentares mostrar que estão mais preocupados com o Brasil do que com as suas reeleições. Há estudos que mostram que voto pela reforma da Previdência não afeta eleição. No governo de FHC, 70% dos parlamentares que votaram a favor da reforma da Previdência se reelegeram, contra apenas 50% dos que não votaram – disse Côrte. 

Além disso, se a economia piorar por falta da reforma, os parlamentares serão culpados e poderão perder votos em outubro.

Dados do Estado
Uma informação positiva destacada na publicação SC em Dados, lançado ontem pelo Observatório da Fiesc é a força da indústria no emprego. As cidades mais industriais do Estado foram as que retomaram a oferta de novas vagas antes este ano. SC tem 734 mil trabalhadores na indústria, uma média de 34% do total de empregados no Estado. Isso é acima da média nacional porque o setor também responde por quase 29% do PIB catarinense, enquanto no país a indústria responde por 22,5% do PIB. 

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