"A minha morte foi decretada quando fui banido da universidade!!!", diz reitor da UFSC em bilhete  Charles Guerra/Agencia RBS

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

CORREÇÃO: Diferentemente do que informou este site das 13h54min do dia 2 de outubro até as 18h18min do dia 4 de outubro, o bilhete deixado pelo reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo continha a frase “a minha morte foi decretada quando fui banido da universidade!!!”, e não "minha morte foi decretada no dia de minha prisão". A notícia já foi atualizada. 

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo,  valeu-se do suicídio para praticar um ato político de forte impacto na população.  Além de optar pelo espaço mais visitado e de maior movimentação nas manhãs de segunda-feira, em Florianópolis, ele deixou um bilhete que pode explicar as razões de seu gesto.

Segundo fonte da Policia Civil, um bilhete foi escrito pelo professor Cancellier, onde teria escrito:  "A minha morte foi decretada quando fui banido da universidade!!!".

O reitor não conseguiu neutralizar os efeitos políticos, sociais e psicológicos da sua prisão na Operação Ouvidos Moucos. Com toda a vida dedicada à Universidade e à educação viu o esforço acadêmico e político de décadas desmoronar do dia para a noite.

A partir da prisão viveu dias terríveis, segundo os amigos mais chegados. Iniciou um processo depressivo, tinha aconselhamento psiquiátrico e tomava medicamentos para neutralizar o impacto psicológico da prisão e todo o processo humilhante a que foi submetido.

Seu irmão, o jornalista Júlio Cancellier, está inconsolável com a morte do reitor.  Com ele esteve no domingo e constatou que Luiz Cancellier estava duplamente contente: por ter autorização para ir à UFSC participar de banca examinadora no Curso de Pós-Graduação em Direito e pela vitória do Hercilio Luz, seu time de coração em Tubarão.   

Ele costumava se manifestar inconformado sobretudo, porque todos os supostos atos irregulares na UFSC foram praticados, segundo a própria Polícia Federal, nas gestões anteriores à sua. Além disso, sua formação acadêmica ocorreu na área do Direito e da Justiça.  E ele se sentia o maior dos injustiçados com a prisão na Operação Ouvidos Moucos.  Dizia que não encontrava qualquer explicação para o ocorrido.

Nos primeiros dias ficou confiante em decisão da Justiça que o beneficiasse, especialmente, depois dos esclarecimentos dados no longo depoimento na Polícia Federal.

De acordo com pessoas mais próximas, a autorização da juíza federal de autorizar sua presença na UFSC por apenas duas horas e meia pode ter sido o fato que o levou a praticar o suicídio.  Ele já meditara sobre a possibilidade de retorno, mas sempre preocupado com o abalo da imagem e o ferimento mortal de sua liderança, fatos que o impediria de concluir o mandato na Reitoria da UFSC. Ele completou o primeiro dos quatro anos de gestão no mês de maio. 

O campus da Trindade está com bandeiras a meio mastro.  As atividades administrativas foram suspensas. E os trabalhos acadêmicos também deverão ser encerrados em vários cursos a tarde e a noite

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