Clima de emoção e revolta marcam homenagem póstuma ao reitor Luiz Carlos Cancellier Moacir Pereira/Moacir Pereira

Foto: Moacir Pereira / Moacir Pereira

Um clima de emoção e revolta marcou a sessão fúnebre do Conselho Universitário da UFSC em homenagem póstuma ao reitor Luiz Carlos Cancellier. O tema central de todos os discursos: as qualidades humanas e as virtudes pessoais, acadêmicas e políticas de Cancellier, repetidas por todos os oradores; e a injustiça de sua precipitada e desnecessária prisão.

Os responsáveis pelas punições e humilhações a que foi submetido o reitor mereceram críticas veementes. A mídia também mereceu graves reparos. Dentro e fora do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, revolta com veículos de comunicação nacionais, que, desde a prisão, condenaram o reitor com informações mentirosas de violência irreparável. Repetiram de forma criminosa que Luiz Carlos Cancellier teria sido preso e afastado da UFSC sob acusação de desvio de R$ 80 milhões do ensino a distância. Calúnias reproduzidas à exaustão por outros órgãos de imprensa e transformados em comentários intolerantes e odiosos nas redes sociais.

Cancellier não desviou um único palito da UFSC. Não era acusado de qualquer prática de corrupção e, ainda assim, teve a honra mortalmente ferida, equiparado aos bandidos do Mensalão e do Petrolão.

Luiz Cancellier foi arrancado de casa e afastado da Universidade, mesmo sendo um professor tolerante, ético, solícito, humilde, conciliador. Morava num apartamento simples ao lado do campus. Nem carro tinha. Teve a honra destruída.

Empatia, Respeito, Amor
Na frente da mesa das autoridades, na sessão fúnebre do Conselho Universitário, uma frase com letras brancas em cartaz preto dizia: "Uma dor pungente não há de ser inutilmente". Outros cartazes se destacaram no Centro de Eventos e Cultura da UFSC, superlotado. A professora Andrea Steil, do Departamento de Psicologia, comovida, exibia um cartaz com algumas das virtudes do reitor injustiçado e falecido.

Amigo
Desembargador Lédio Rosa de Andrade era amigo de infância do reitor Cancellier. Ambos conviveram na mesma rua em Tubarão e trilharam os mesmos caminhos lutando pela democracia. O magistrado estava indignado com a prisão e com "tristeza profunda com a morte".  Declarou: "É preciso ir até as últimas consequências para apurar as arbitrariedades. Como professor da UFSC, tenho alegria; como desembargador, tenho vergonha."

Sofrimentos
O professor Áureo Moraes, chefe de gabinete do reitor, deu seu testemunho, eloquente: "Desde 14 de setembro (prisão) vivemos uma indignação contida insuportável, uma revolta abafada, pelo terror que representaram as prisões, as humilhações e o linchamento midiático. Há 18 dias nenhum de nós falou com o reitor. Acreditávamos na Justiça e temíamos prejudicá-lo. Afinal, a quem interessava a destruição do reitor?"

Providências
O governador interino Eduardo Pinho Moreira participou da solenidade de mais de duas horas em homenagem ao reitor. Colocou a bandeira do Estado sobre o caixão, decretou luto oficial em Santa Catarina por três dias e adotou como oficial a nota do procurador-geral João dos Passos Martins Neto, de profundo pesar pela morte do reitor e exigindo investigações para apurar responsabilidades.

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