"Estão fazendo terrorismo de Estado em nome da Justiça", diz desembargador Arquivo pessoal/Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Falando em nome dos professores do Centro de Ciências Jurídicas da UFSC, o professor e desembargador Lédio Rosa de Andrade fez contundente e emocionado discurso que se espalhou pelas redes sociais de forma impactante. Amigo do reitor Luiz Carlos Cancellier desde infância, ele denunciou arbitrariedades da prisão e pediu responsabilização e providências.

O seu pronunciamento contra a brutal injustiça que vitimou o reitor Luiz Carlos Cancellier viralizou na Internet e ganhou grande repercussão. O senhor pediu providências. Quais seriam elas?

Temos que fazer uma revisão da lei. Acho que devemos construir mecanismos de controle do abuso de poder. A magistratura, há muito pouco tempo, resistiu à criação do Conselho Nacional de Justiça. Hoje, está provado que o conselho é uma das melhores criações do Judiciário. Tem que fazer algo para controlar polícia, Ministério Público e a magistratura nestes excessos que estão tendo no poder punitivo do Estado.

Estes abusos ficaram evidenciados no caso do reitor?

Não posso falar porque a lei me proíbe, sendo magistrado. O que posso dizer é que para prender alguém, pela lei em vigor, tem que ser absolutamente imprescindível e quando a pessoa é acusada de crime grave. No caso do professor Cancellier não havia nenhum crime grave e nada de imprescindível.

O senhor se surpreendeu com a notícia da prisão de Cancellier?

Eu não acreditei. "Isso é impossível", pensei. Qualquer jurista ou juiz de bom senso não pode compreender como isso possa ter ocorrido.

O senhor afirmou que se orgulhava se ser professor, mas que naquele momento estava envergonhado de ser desembargador. Por quê?

Eu quis dizer claramente que, como desembargador que sou e como apaixonado que sou pela Justiça, é uma vergonha o que estão fazendo em nome da Justiça. Estão fazendo terrorismo de Estado em nome da Justiça. E nós da Justiça somos os primeiros a ter que julgar e declarar que isto está errado, que isto não é Justiça e que isto tem que acabar.

O senhor imagina outra providência no caso do reitor?

Acredito que a Corregedoria de todos os poderes e o Conselho Nacional de Justiça, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal vêm tomar a iniciativa de analisar o caso com ponderação e dar a todos os envolvidos o que eles não tiveram: o direito de defesa, o contraditório e uma decisão vinda com Justiça de um julgador imparcial.

Que imagem ficou para o senhor do reitor?

A imagem que fica é de uma pessoa honesta, íntegra, combatente e que no seu último combate encontrou na tragédia a única forma de protestar contra a tirania.

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