Cônsul-geral da Tailândia no Brasil, Thassanee Wanick defende turismo sustentável em passagem por Floripa Felipe Carneiro/Agencia RBS

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

As atribuições de um cônsul concentram-se, em geral, na defesa dos interesses de seus compatriotas em outros países. Mas Thassanee Wanick, a inteligente e engajada cônsul-geral da Tailândia no Brasil, vai bem além disso. A elegante diplomata concilia, junto às tarefas regulares, o trabalho em prol dos países onde mora. Foi assim no México, lutando pela preservação das tartarugas marinhas e pela reciclagem de lixo, e é assim no Brasil, onde fundou o Green Building Council Brasil (GBC), ONG que promove o uso sustentável dos recursos.

– Sempre tento deixar minha pegada ecológica. No Brasil, pesquisei quais eram os principais problemas ambientais onde poderia atuar. Elegi a área de transportes e das construções. Como o país é líder mundial na produção do etanol, resolvi me concentrar em ajudar a reduzir o impacto das construções. Nesta área, joga-se fora 36% do total de matéria-prima. O arquiteto quase não fala com o engenheiro. Depois, com a obra pronta, alguém não gosta de uma parede, por exemplo, e manda derrubar. Isso gera um despedício imenso e produz lixo que a cidade precisa absorver – contou em um papo no jardim do Il Campanario, onde se hospedou na semana passada em Florianópolis para apresentar a arte do elefante que idealizou para a Elephant Parade, outro projeto que faz em nome da conscientização para o problema dos maus-tratos aos animais.

Especialista em desenvolvimento sustentável, Thassanne sabe bem que o mundo é pequeno e um problema na Tailândia ou na China pode afetar o planeta. E é com esse pensamento que fundou a GBC, que hoje existe em 150 países e no Brasil já conta com 1 mil empresas parceiras.

– Não foi fácil entrar em um meio bem masculino, ainda mais sem formação na área de Engenheira ou Arquitetura. Mas hoje, os mesmos que não gostavam de me receber, me agradecem. Além de mais ecológico, ser sustentável traz economia e mais dinheiro no bolso – diverte-se Thassanee, que comemora a assinatura do IPTU Verde pelo prefeito Fernando Haddad.

A lei dá desconto aos prédios que tem o selo Green Building, emitido pela ONG dela e que garante a economia de 40 a 50% no consumo de água e de 30 a 40% no gasto com energia elétrica. Por aqui, a especialista elogia o projeto do bairro Pedra Branca, em Palhoça, que tem o selo de bairro verde.

Ganhadora do título de Cavaleiro Oficial da ordem mais nobre da coroa por serviços ao país e ao povo da Tailândia, dada pelo rei do país, e representante da Príncipe Charles Foundation para área de construção no Brasil, Thassanne, natural de um país que recebe, por ano, dois milhões de turistas interessados em belezas naturais, é uma defensora do turismo sustentável.

– Tento explicar que o principal ouro dos moradores não é o dinheiro, mas a natureza.

Nesse contexto, a cônsul declara apoiar a cobrança de taxas para turistas que visitam ilhas durante o verão.

– Uma ilha é um ecossistema frágil e com espaço limitado. Sou a favor da cobrança de taxas para turistas na alta temporada. Em Ilha Bela, onde tenho casa, é cobrada uma taxa que é encaminhada à prefeitura para melhorar serviços como o de limpeza, por exemplo. É uma verba que não deve ir para Brasília, mas sim ficar com o município para tornar a cidade mais sustentável – declara.

Dia 5 de dezembro, Thassanee retorna a Floripa para a festa de lançamento do Elephant Parade, que começa no dia 6.

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