As meninas, principalmente as bem pequenas, são apaixonadas por princesas. Adoram fantasias com saias longas e volumosas, coroas brilhantes e varinhas mágicas. É muito bonitinho, como brincadeira. Só que tem gente levando essa ideia a sério demais: foi inaugurada este mês em Belo Horizonte a quarta Escola de Princesas, nas quais meninas de 4 a 15 anos podem se matricular para aprender a “se portar, cuidar dos afazeres domésticos e da estética e se preparar para o matrimônio”. Parece brincadeira, mas não é. O difícil é acreditar que muitas famílias pagam _ e muito _ para transformar suas filhas em “princesas”. Em que mundo será que elas vão viver?


A Escola de Princesas, claro, já virou polêmica nas redes sociais. A maioria das pessoas, entre as quais eu me incluo, acha a proposta estapafúrdia, por acreditar que as meninas devem ser educadas para a vida, seguras e confiantes o bastante para escolherem o futuro que desejarem. Casar deve ser uma opção e nunca uma imposição, assim como ter filhos, construir uma carreira profissional, morar sozinha, viajar pelo mundo… Enfim, cada uma deve buscar a sua própria realização, e aos pais cabe aconselhar, estar por perto para apoiar e transmitir segurança, mas nunca escolher pela filha. O futuro é dela.


Uma das propostas da Escola de Princesas é preparar as meninas para encontrar seu príncipe encantado e serem felizes para sempre, igual às histórias de princesas. “O passo mais importante na vida de uma mulher, sem dúvida nenhuma, é o matrimônio. Nem mesmo a realização profissional supera as expectativas do sonho de um bom casamento”, prega a tal Escola. Parece que eu estou lendo uma daquelas revistas femininas dos anos 40-50 do século passado. No curso, que tem duração média de quatro meses e é dividido em módulos, as futuras princesas aprendem como se tornarem boas esposas e boas donas de casa, além de cuidarem da aparência, “nosso principal cartão de visitas”, segundo o curso.


Uma outra propaganda diz que “toda princesa mora em um castelo e quando vir a se tornar rainha, terá também o seu próprio castelo. Mas para isso, deve saber como mantê-lo em ordem e em bom funcionamento, ainda que seja somente para dar ordens a seus funcionários no futuro”. A escola também oferece cursos menores, encontros de princesas, passeios de limusine… Como brincadeira de um dia, ainda passa. Mas colocar na cabeça de uma menina, hoje em dia, que para ser feliz no futuro ela terá que focar todos os seus esforços em um “casamento perfeito” é no mínimo um retrocesso. Parece brincadeira, mas sem graça nenhuma.


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DIÁRIO CATARINENSE
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