"O Brasil parou", diz o dono da Havan, Luciano Hang Daniel Conzi/Agencia RBS

Luciano Hang, dono da Havan

Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS

Luciano Hang, da Havan, maior grupo atacadista e varejista de Santa Catarina e um dos maiores do Brasil, é um otimista insuperável. Mas também está apreensivo com o agravamento da crise econômica.

Qual sua avaliação sobre a crise?

Infelizmente, acabaram os anos de otimismo. Não tem mais com reduzir custos. Viajo pelo Brasil inteiro. A crise bateu em todo mundo. Dificuldades são apontadas por taxistas, pelo varejo, pelos fornecedores, por todo o mundo. O Brasil parou. Neste momento, os empresários estão mais preocupados com a geração de caixa do que com o crescimento dos negócios. O objetivo principal é cuidar do que temos. Não vamos crescer mais. É lamentável. Deixaremos de criar este ano mais de 5 mil novos empregos, como ocorreu no ano passado. Não tem como você ser otimista. Tem que ser realista neste cenário. Trabalhar na real situação do país. A gente só escuta tristeza.

O senhor ouve algum especialista indicando como sair da crise?

Constato que nosso problema é mais político do que econômico. Enquanto não se resolver o problema político a economia não anda. Ninguém coloca mais um prego em lugar nenhum. Está parada a construção e parados outros setores vitais da economia. A parada é tão grande que, quando a economia quiser andar estará quebrada toda a cadeia produtiva do Brasil. No final do ano as fábricas entram em férias coletivas. Pagam o 13º, os salários e as férias. Muitas empresas não retornarão mais em janeiro para trabalhar porque não vai ter mais matéria prima, não vai ter mais dinheiro para fazer fluxo de caixa, não vai ter mais dinheiro para pagar salários. Vai ser uma quebradeira muito grande no início de 2016.

O que o senhor constata entre os fornecedores?

Eles têm 20 mil camisas, 10 mil camisas para produzir e dizem que não conseguem mais. Dizem que não tem dinheiro para comprar matéria prima, já demitiram os funcionários. É como se rompesse o ciclo, quebrasse a roda. Eles dizem: "Não consigo mais tocar a empresa".

E as perspectivas para o Natal?

Outubro, novembro e dezembro, a Havan está comprando normalmente. Vamos acreditar, vamos encher nossas lojas de produtos. Mas os fornecedores têm dificuldades de tocar suas empresas. Não tem matéria prima e não tem crédito. Os bancos não dão crédito. O dinheiro não gira mais. A grande parte dos fornecedores de têxtil está em Santa Catarina, no Vale do Itajaí.

A Havan movimenta quantos colaboradores?

Temos 15 mil colaboradores diretos e mais de 50 mil indiretos, que são os fornecedores, que têm fábricas que produzem para nós. Está todo mundo numa angústia muito grande.

Já houve demissões na Havan?

Não. Adotamos uma política de proteção dos colaboradores. Mas não há reposição dos que saíram. Fazemos um trabalho de gestão muito forte. Vamos tentar fazer o máximo com o mínimo. Temos medo do que pode acontecer nos próximos meses. De qualquer forma, estamos nos preparando para o Natal. Estou passando mensagem de otimismo aos colaboradores. Quem sabe o Natal dá uma melhorada. É importante economizar. Mas não se deve deixar de comprar. O Brasil precisa avançar.

Férias


Durante a convenção municipal do PMDB de Florianópolis, que reelegeu o deputado Gean Loureiro seu presidente, o ex-senador Casildo Maldaner voltou a abordar a crítica situação do Brasil. E enfatizou que "a presidente precisa tirar umas férias. Aí, o Temer entra e dá uma de Itamar. O Brasil precisa de paz e harmonia para voltar à normalidade". O presidente do partido, Mauro Mariani, passou pelas convenções municipais e no sábado esteve sábado em Jaraguá do Sul - na foto com o vice-presidente do partido, Valdir Cobalchini (E), o vice-governador Eduardo Pinho Moreira e o senador Dário Berger (D).

Centenário

Academia Catarinense de Letras, Associação Catarinense de Imprensa e Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina promovem hoje, em Orleans, o lançamento do livro sobre os 100 anos da imprensa no Sul do Estado. A obra é de autoria do professor Celso de Oliveira Souza, presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Terra dos Condes.

O desconto

Diretores da Fundação Celos de Seguridade Social realizam assembleia hoje com os aposentados da Celesc, no auditório da estatal, para apresentação do plano de regularização do déficit a ser debitado a partir de outubro nos contracheques de todos os empregados na base de 8% do salário bruto. O déficit de R$ 336 milhões será coberto 50% pela Celesc e 50% pelos trabalhadores.

Crise nos municípios

Um levantamento feito entre as prefeituras de Santa Catarina revela um dado histórico inédito. Apenas 5% dos municípios terão condições de pagar o 13º salário este ano. A queda da arrecadação começa com o FPM, passa pela divisão do ICMS e termina nos tributos municipais. Muitos prefeitos não conseguirão nem pagar os salários de dezembro.

Ladrões

O ex-presidente Lula proclamou em Teresinha: "Gente que roubou não pode chamar petista de ladrão". Quer dizer: os brasileiros éticos, que formam a esmagadora maioria e são honestos, podem! Com familiares cada vez mais enlameados pela Lava-Jato, o Pixuleco enganador tenta manipular o povo simples. Incorporou Goebbels.

DIÁRIO CATARINENSE
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