Desde que os resultados econômicos do Brasil passaram a derreter, principalmente a partir de 2013 em função de erros de gestão praticados pelo governo federal e suas estatais, Santa Catarina tem conseguido apresentar desempenhos melhores que os da média nacional. Isto apesar de também enfrentar recessão e alguns números negativos iguais aos do país.

O principal indicador que mostra a vantagem barriga-verde é o IBCR, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) feita pelo Banco Central. SC apresentou alta de 0,64% em agosto e queda de 1,62% nos oito primeiros meses do ano. O Brasil teve queda de 0,76% e de 2,99% nas mesmas comparações. O emprego é outra vantagem porque o Estado tem uma das economias mais diversificadas do país, alguns setores ainda crescendo e a maioria das empresas se esforçando para manter seus talentos. Do estoque de emprego formal segundo o Caged, enquanto SC reduziu 12.585 vagas de janeiro a setembro deste ano (-0,62%); o Brasil cortou mais do que o dobro disso 657.761 postos (-1,60%). A última Pnad contínua do IBGE, do segundo trimestre do ano, mostrou que o Estado tem quase pleno emprego, só 3,9% de desocupação, enquanto o país tem 8,3%.

A indústria catarinense, mesmo com dificuldades idênticas às do Brasil, tem demitido menos. Conforme apuração de dados da unidade de Política Econômica e Industrial, coordenada pela economista Márcia Camilli, a produção estadual do setor caiu 6,8% de janeiro a agosto, quase a mesma retração do país, que chegou a 6,9% no período. As vendas industriais foram piores: as do Estado caíram 8,9% e as do país, 6,6%. Mesmo assim, neste ano as indústrias catarinenses cortaram menos empregos, 8.298 vagas (-1,21%) enquanto as do Brasil suprimiram 287.472 (-3,50%).

Os serviços e o comércio ainda são menos atingidos. Segundo o IBGE, a atividade de serviços recuou 1,9% de janeiro a agosto deste ano em SC, enquanto no país caiu 2,6%. O varejo ampliado teve retração igual a do Brasil, de 6,9% de janeiro a agosto. Mas no varejo restrito, que exclui veículos e materiais de construção, aparece mais a pujança catarinense. O Estado cresceu 0,1% no período, enquanto o país teve recuo de 3%. As vendas de combustíveis se destacam com expansão de 3,4% enquanto, no país, caíram 3,9%. Nos segmentos de supermercados SC teve queda de vendas de 1,3% e o país, de 2,3%; nos hipermercados, as variações ficaram em - 0,4% e — 3,9% respectivamente; vestuário e calçados, -0,7% e -6,6%; eletrodomésticos, -0,1% e -11,7%; farmácias, 5,6% e 4,2%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, 8,7% e 2,6%.

Como o impasse político, a falta de confiança e o desajuste das contas federais continuam, a crise segue sem prazo final. Também pesa o fato de as exportações e os investimentos estarem em queda. O que ameniza é a proximidade do Natal e a expectativa de que SC continuará com menos perdas do que a média do Brasil.

Ficou pior

Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias (Fiesc), Glauco José Côrte, todas as últimas indicações são de que a crise se aprofundou nos últimos meses e, provavelmente, ela será mais longa do que se imaginava no início do ano.

— A sinalização do Banco Central de que vai manter os juros nesse nível até o final do primeiro semestre do ano que vem indica a dificuldade que estamos tendo para controlar a inflação num ambiente de recessão. Não é muito usual: juros altos, recessão e inflação pressionando. Na nossa avaliação, 2016 será mais um ano de queda do PIB e qualquer expectativa de crescimento será só a partir de 2017.

Preocupante

O cenário é preocupante na opinião do presidente da Federação do Comércio (Fecomércio SC), Bruno Breithaupt. O varejo e os serviços enfrentam os mesmos problemas de outros setores, afirma ele.

— Acreditamos que o maior problema é a indefinição política. Uma luz no fim do túnel seria possível se o executivo federal e o Congresso conseguissem formalizar políticas para que o Brasil caminhe de maneira diferente. Enquanto isso não ocorrer, é difícil estimar quando a economia voltará a crescer — afirma Breithaupt.

Para ele, o desempenho de SC melhor do que a média do país tem a ver com a criatividade e o empreendedorismo dos empresários e ações do governo estadual e prefeituras.

Incertezas

Setor catarinense que menos sentiu a crise até agora foi o agronegócio. Mas agora começa a preocupar por dois motivos: os fortes impactos do El Niño, que seguirão até o ano que vem, e a incerteza da cotação do dólar, observa o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faesc), José Zeferino Pedrozo.

— O que preocupa mesmo é a situação econômica. A safra deste ano (2014-2015) foi bem, mas não sabemos o que vai acontecer com a próxima (2015/2016). Os insumos já tiveram preços majorados. Se a cotação do dólar cair, teremos problemas — diz Pedrozo.

Tecnologia subterrânea

Soluções para telecom como abrigo subterrâneo e Cel Poste serão expostas pela Clemar Engenharia, de Florianópolis, na Futurecom 2015, evento que abre nesta segunda-feira à noite no Transamérica Expo Center, em São Paulo. O abrigo é um equipamento hermético, subterrâneo, ventilado e com elevador. É para abrigar equipamentos de telefonia e energia sem afetar a paisagem. Na foto, unidade instalada na orla de Ipanema, no Rio de Janeiro. O Cel Poste reúne abrigo, antenas e iluminação com tecnologia mais eficiente. O diretor técnico da empresa, Dalee Holland Leichsenring, fará palestra sobre inovação em abrigo de equipamentos. A Clemar completou 45 anos em setembro e é hoje referência nacional em sua área de atuação.

Energia

A WEG realiza nesta segunda-feira, das 14h, mais um seminário online sobre eficiência energética. É para quem quer adotar tecnologias que consomem menos energia.

Cenários

O presidente da Aemfo e CDL São José, Marcos Souza, conversou com a imprensa sábado sobre temas relevantes da região continental de Florianópolis. O encontro foi na Kasa Siqueira, em São José.

Imbituba

A Marinha homologou a profundidade de 17 metros do canal do Porto de Imbituba, o que permite movimentar navios com até 80 mil toneladas de granel. A profundidade da bacia de evolução é de 15,5 metros e dos berços, de 14,5 metros. Agradeço aos leitores que avisaram sobre erro e falta de clareza na nota de sábado.

DIÁRIO CATARINENSE
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