Por um debate sobre a ponte que deixe a mãe de fora Charles Guerra/Agencia RBS

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Prezado leitor (a), proponho uma reflexão: será que o cidadão ou a cidadã, ao sentar na frente do seu computador enquanto acessa a internet, acredita de verdade que xingar a mãe de alguém somente por pensar diferente ou chamá-lo de gaúcho (como se isso fosse ofensa) vai conseguir mudar a sua opinião? Teria esta pessoa a convicção, lá no fundo da alma, que ao tentar desqualificá-lo como haole (na gíria dos surfistas, um forasteiro) ou alienígena vai mesmo alterar uma única linha da tese divergente? Se depender de mim, jamais. Até porque acredito no debate de ideias como um dos pilares da democracia desde sempre.

Mobilização nas redes sociais pede a derrubada da Hercílio Luz

Mas também entendo que nós latinos, em especial brasileiros, sempre tivemos uma dose extra de dificuldade para lidar civilizadamente com o contraditório. Coxinhas e petralhas não me deixam mentir. Sempre acreditei que explosões fortuitas estavam associadas ao menor o nível de escolaridade. Quanto mais desinformado o sujeito, maior seria o barraco. Ledo engano. Hoje, até mesmo alguns doutos letrados perdem a compostura. Basta discordar em duas ou três questões na réplica e na tréplica para descambar num vai tomar …. ou seu filha da….

Coisa feia.
Confesso que não me sinto incomodado com estas críticas. Claro que não gosto quando botam a Dona Nina no meio. Afinal, vida fácil ela nunca teve. Sozinha criou dois filhos. E hoje, professora aposentada, nem salário integral anda recebendo lá no RS, mas isto já é outra história.

Mas pode conferir no Aurélio: “opinião é um substantivo feminino que “significa modo pessoal de ver as coisas”. Eu tenho a minha, você a sua, o Cacau Menezes a dele e o Moacir Pereira uma terceira. Já discordei em abordagens dos meus colegas colunistas de DC. O que não significa deixar de reconhecer a importância de suas trajetórias ou admirar a liderança que exercem. E é aí que está a diferença. Visões diferentes agregam. Pensamento único, não. A história está aí para provar. E o papel de um jornal, ainda mais em tempos de informação online, deve ser o de aprofundar a discussão, não apenas reunir notícias.

Esta volta toda é para reafirmar o que tenho escrito inúmeras vezes: ponte é para ligar um ponto ao outro. Nunca sugeri que se bote abaixo o cartão-postal catarinense, a Ponte Hercílio Luz. O que defendo é que se faça uma estrutura nova, igualzinha, mas com tecnologia do século 21. Não mudaria em nada a pose para fotografia, mas quem sabe ajudaria a melhorar a caótica mobilidade nos horários de pico. Enquanto isso, a velha senhora segue ali interditada, há 33 anos. E pode chegar, no mínimo, a 36 anos fechada, já que a previsão é reabrir em 2018. Esse é o ponto.

O próprio Diário Catarinense, editorialmente, entende que o ideal para a Hercílio Luz seria reformá-la apenas como monumento. O fato é que estamos perdendo uma oportunidade única de abrir debate sério sobre o tema, ouvindo de verdade o que pensam os catarinenses. Nada de enquete ou palpite, mas audiências públicas representativas. E sem ofensas pessoais, por favor.

No mais, só peço a compreensão dos exaltados, que de forma hiperbólica ainda tentam comparar a torre Eiffel à Hercílio Luz. Como diria o manezinho, uma coisa é uma coisa, e outra coisa é bem diferente. Aos que mandaram mensagens de apoio, aliás em número muito maior do que as ofensivas, meu muito obrigado. “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”, já dizia Voltaire. Caso contrário vira conversa de maluco, ou como preferem alguns: papo de outro mundo…

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