Trabalhar a vida inteira na mesma empresa, até se aposentar, era motivo de orgulho para os profissionais de todas as áreas, até poucas décadas atrás. “Fazer carreira” na firma era tudo o que desejávamos. Sinal de que tínhamos competência e de que éramos indispensáveis à organização. “Comecei e encerrei minha vida lá dentro”, dizia meu avô, com o peito estufado, por nunca ter trocado de emprego na vida. Era o máximo que se podia almejar.

Hoje as coisas são bem diferentes. Ter só uma assinatura de empregador na Carteira de Trabalho não quer dizer muita coisa. Ou, talvez até queira: que você é um acomodado ou não sabe aproveitar as chances de crescer e ter experiências novas quando elas aparecem. Ou, melhor: que você é um dos felizardos que realmente deu sorte na vida e foi muito feliz durante dezenas de anos trabalhando no mesmo lugar e nunca sentiu vontade de mudar de ares. Mas isso é para poucos.

Os jovens chegam ao mercado de trabalho com outra mentalidade e um jeito novo de enxergar e planejar seu futuro profissional. Estabilidade no emprego a vida inteira já não está nos planos, pelo menos da maioria (a não ser daqueles que se dedicam a estudar para passar em um concurso público, por exemplo). O que os novos profissionais almejam é boas oportunidades de crescer, evoluir, inovar e enfrentar desafios. Bons salários? Claro que todo mundo quer ganhar bem, mas segundo pesquisa recém-publicada pelo Institute Top Employers, receber uma boa remuneração não é tão importante assim. Estes profissionais estão em busca, também, dos ganhos não-financeiros. “Embora o salário ainda seja primordial, itens não financeiros como horários flexíveis de trabalho, o atendimento às mudanças no estilo de vida (como, por exemplo, a chegada de um bebê), a aprendizagem, o desenvolvimento e o reconhecimento tornaram-se fatores decisivos nas ofertas de emprego e na retenção de talentos. E esta é uma tendência irreversível “, analisa David Plink, CEO do ITE.

A pesquisa foi feita com 600 empresas, de 96 países. E 37% delas já reagiram a essa tendência, criando conjuntos de benefícios, incentivos e subsídios capazes de reter os seus talentos. Esse é o caminho, já que para estes novos profissionais, a estabilidade no emprego já não está entre suas prioridades.

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