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A cada nova enchente com desabrigados e desabamentos, o modelo da Defesa Civil catarinense volta ao debate. Um ponto inquestionável é que nunca se investiu tanto como o governo Colombo na compra de equipamentos (radares) e na construção de barragens. Mas surge a pergunta inevitável: por que, afinal, os problemas se repetem todos os anos e nos mesmos lugares?


Dois especialistas ouvidos pela coluna são categóricos: temos recursos e equipes bem preparadas, mas falta gestão antes da crise. É preciso entender que a informação sobre o fenômeno climático é importante, mas não é sinônimo de prevenção.



Afinal, os catarinenses sabiam desde o início do ano que Estado seria atingido fortemente pelo El Niño. Pura informação. Mas quais orientações foram divulgadas para a população sobre como proceder nesses casos? E quantos rios foram desassoreados desde então nos principais municípios atingidos? Isso seria prevenção de fato. Barata e eficiente.



O planejamento destas operações é algo complexo. Santa Catarina aprendeu a lidar com os problemas na dor. Desenvolvemos uma capacidade ímpar de pronta resposta, que hoje é referência, mas somente depois que a água literalmente leva tudo o que tem pela frente. É inadmissível, por exemplo, que um sistema de quatro barragens ainda esteja em fase de licitação, com previsão (por enquanto promessa) de conclusão em 2018. Ou seja, 10 anos depois da maior tragédia climática que assolou o Estado, e que teve o morro do Baú como símbolo de tanta tristeza, será possível dispor de estrutura completa de operação das barragens. Por enquanto, entra governo e sai governo, a Secretaria da Defesa Civil continua na cota dos cargos por interesses políticos. E para um Estado com as peculiaridades climáticas de Santa Catarina, isso pode ser visto como omissão.



Casa de ferreiro
A Defesa Civil está sob o comando do secretário Milton Hobus, só por coincidência ex-prefeito de Rio do Sul, um dos municípios mais atingidos nos últimos anos a cada chuva mais forte.



Falta não justificada
O Fórum Parlamentar Catarinense, formado pelos 16 deputados federais e pelos três senadores, cancelou a reunião que faria hoje em Blumenau por causa das chuvas. A simples decisão, num momento tão crítico, demonstra falta de sintonia com as demandas da população. Poderiam fazer o encontro em outra cidade, ou não?



Fique atento
Evite circular por locais alagados ou que já estiveram submersos recentemente. Em 2011, esta foi a maior causa de morte durante os alagamentos.



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DIÁRIO CATARINENSE
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