JBS e o risco de boicote de marcas via redes sociais André Ávila/Agencia RBS

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Dilema ético: consumir ou boicotar produtos de empresas envolvidas em corrupção ou outras práticas ilegais? Após confessar o pagamento de mais de R$ 1 bilhão em propinas para políticos e atrair críticas generalizadas por não terem sido punidos na delação, os irmãos Joesley e Wesley Batista, sócios da holding J&F, controladora da JBS e de mais nove organizações empresariais, passaram a enfrentar uma campanha nas redes sociais contra a compra de produtos das suas empresas. Na lista estão quase 20 marcas, incluindo a Seara, Friboi, Frangosu, Swift, LeBom, Prilgrim¿s Pride, Vigor, Itambém, Faixa Azul, Danubio, Leco, Serrabella, Havaianas, Osklen, Mizuno, Minuano e Albany. 

Há informações de que algumas grandes redes de supermercados do país estariam preocupadas com o risco de falta de carnes e derivados caso os consumidores decidam seguir o conselho de internautas e buscar outras marcas. Mas até esta quinta, tanto a Associação Catarinense de Supermercados, quanto a associação brasileira do setor, a Abras, não tinham percebido mudanças no consumo. O presidente da Abras, João Sanzovo Neto, informou que ainda é cedo para falar em reflexos nos supermercados e a entidade não tem pesquisa que sinaliza boicote a produtos da JBS. 

Grandes agroindústrias de SC, como a BRF e a Aurora, também não receberam pedidos de clientes para aumentar o fornecimento de carnes e derivados, substituindo itens da JBS. Isso mostra que embora as redes sociais tenham força para mudar decisões de consumo, isso não vem ocorrendo numa proporção que causa preocupação para o grupo J&F. Mas as empresas precisam atuar com ética junto a todos os seus públicos e preservar o meio ambiente. Isso inclui fornecedores, consumidores, governos e instituições da área social. 

É crescente, no Brasil e no mundo, o número de consumidores que rejeita produtos e serviços de empresas que não são idôneas. As investigações da Lava-Jato estamparam uma série de ilegalidades. Quem tem o poder de cobrar ética na decisão de consumo são as pessoas e espera-se que um número crescente exerça esse direito. 

Com fogo não se brinca
Conseguiram politizar demais o caos de quarta-feira em Brasília, criticando muito a convocação do Exército. O fato é que com fogo não se brinca e, numa emergência, é preciso chamar todo mundo, pode ser exército, aeronáutica, além dos bombeiros que não tiveram acesso aos prédios atingidos por fogo. 

Eu já presenciei incêndio. O risco de se alastrar e fazer vítimas é muito grande, por isso a polêmica foi desnecessária, independente da situação política crítica de quem convocou. 

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