Monte Carlo, Monaco.Sunday 28 May 2017.Stoffel Vandoorne, McLaren MCL32 Honda.Photo: Charles Coates/McLarenref: Digital Image DJ5R2244
Foto: CHARLES COATES / MCLAREN/DIVULGAÇÃO

Os czares da Fórmula-1 estão revoltados com o clima de insegurança vivido pelas escuderias no GP de Interlagos: quase todas as equipes foram assaltadas - a líder de construtores, Mercedes, à mão armada. Os chefões não querem mais renovar o contrato com São Paulo e nutrem o sonho de uma charmosa corrida de rua, com Floripa no papel de Mônaco.

Já imaginaram? E quem seria a nossa "família real" ou a nossa Grace Kelly?

Brincadeiras à parte, o sonho é só isso mesmo, um sonho. Estaríamos preparados para uma semana sem a Avenida Beira-Mar Norte? As portas da Ilha fechadas nas pontes e engessadas em todo o labirinto Ilha-Continente?

O Principado é mais o cassino, o porto abrigado e o paraíso fiscal do que a Cidade-Estado um pouco maior do que o Vaticano. Mônaco é uma rua e uma praça – é um conto de fadas e um castelo. Espécie de Disneylândia de 1,5 quilômetro quadrado, que se limita ao norte com a França e ao sul com o Mediterrâneo.

Encravada no Departamento des Alpes Maritimes, Côte D’Azur, a Cidade-Estado é controlada por banqueiros da pitoresca Societé Anonymes des Bains de Mer, que opera o principal negócio da economia local: o Cassino de Monte Carlo. Não por acaso, 70% das ações pertencem ao senhor herdeiro da Casa de Grimaldi, o príncipe Alberto Maxence Bertrand Grimaldi, que desde 2003 reina e governa sob o nome de Alberto I.

A hipótese de uma Mônaco tropical esbarra na primeira constatação objetiva: o principado tem uma população de apenas 38 mil pessoas; a grande Floripa já beira os 700 mil. Ou seja: uma é a vitrine turística da região mais rica do planeta, sem qualquer pressão demográfica ou de significativa mudança estrutural. É o primeiro mundo consolidado e imóvel. A outra é a cidade de grande mobilidade social, plena expansão demográfica e acidentada geografia insular, a capital entre o mar e as montanhas.

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Mônaco e sua tradicional corrida de baratinhas se espreguiça ao longo do porto e do mais belo circuito da F-1, com direito à passagem diante do clássico cassino de Charles Garnier, o mesmo arquiteto da Ópera de Paris. Contornada a pracinha, vem o mergulho no túnel, cuja saída deságua no retão da grande marina – onde estão ancorados os mais ricos iates de todo o mundo.

Floripa, já se sabe: rejeita olimpicamente equipamentos de turismo, abomina marinas e, sendo uma ilha, esportes náuticos. A Floripa F-1 é só um sonho que roncou e já encalhou no acostamento.

Acompanhe as colunas de Sérgio da Costa Ramos

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