Faltou dinheiro mas sobrou emoção no desfile das escolas de samba de Florianópolis Cristiano Estrela/Agencia RBS

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Pessoas que conhecem a força e a beleza do samba em Florianópolis não têm dúvida: ou a organização do Grupo Especial na Nego Quirido se reinventa ou a festa que traz no DNA a tradição das comunidades corre o risco de minguar ou até se inviabilizar.

Do ponto de vista estético, o desfile das seis escolas no sábado e madrugada de domingo foi o mais pobre dos últimos anos em alegorias e adereços. O número de componentes também foi reduzido.

A Liga das Escolas de Samba de Florianópolis (Liesf), criada para profissionalizar a gestão e romper o cordão umbilical dos recursos públicos, não conseguiu nem uma coisa nem outra. Pelo contrário, enrolou-se na prestação de contas do ano passado tanto com o município quanto com o Estado. Até mesmo grandes patrocinadores da iniciativa correram por precaução, como a Ambev.

Sobrou para as escolas, a pouco mais de 60 dias do Carnaval, contar com a mobilização dos seus para montar, ensaiar e colocar na avenida uma apresentação.

Mas se faltou recurso, pra não dizer que praticamente não teve dinheiro, o quesito emoção foi nota 10. Um show na base da garra dos integrantes da Consulado do Samba, Os Protegidos da Princesa, Nação Guarani, Embaixada Copa Lord, Unidos da Coloninha e Dascuia.

As arquibancadas, mesmo sem lotar, entenderam a mensagem. Abraçaram as escolas e transmitiram uma energia positiva que contagiou.

Na área da dispersão, integrantes e diretores seguravam as lágrimas ao lembrar de todos os abacaxis que tiveram de descascar até ali.

A superação foi a marca do Carnaval 2017 na passarela. Mas que fique a lição: por mais que seja uma festa, é urgente profissionalizar a organização. A Liesf adotou com slogan ¿respeitem a nossa tradição¿. Tudo o que ela não tem feito.

Bolsa de apostas
Na opinião dos especialistas ouvidos pela coluna, o título do Carnaval 2017 deve ficar entre Coloninha ou Copa Lord, com a Consulado correndo por fora.

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Queda na passarela
O momento mais marcante ocorreu já no final da festa, durante o desfile da Dascuia, pontualmente às 6h. Teca, a primeira porta-bandeira da escola, desmaiou justo no momento da saudação aos jurados. Foi socorrida inicialmente por uma das diretoras de harmonia e logo em seguida recebeu atendimento estabilizado.

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Nota zero
A sujeira com latinhas pra todo lado e banheiros sem água foram os problemas mais criticados por quem compareceu ao desfile na Nego Quirido. Nem a turma dos camarotes, montados no prédio da Nega Tide, escapou desse desconforto.

Festa da cidade
Sob um calor de derreter catedrais, como diria Nelson Rodrigues, a 20ª edição da Feijoada do Cacau no sábado apenas confirmou o que até as tainhas já sabem: a festa do Amarelo é a cara de Floripa.

Maratona do samba
Prefeito Gean Loureiro tem cumprido à risca a programação de prestigiar o maior número de eventos durante o Carnaval desde a última quinta-feira. No sábado foi à Feijoada e também ao desfile na Nego Quirido. Circulou boa parte do tempo ao lado do presidente da Câmara, vereador Gui Pereira.

Esquenta
Deputado Gelson Merísio (PSD) e senador Paulo Bauer (PSDB), dois pré-candidatos ao governo do Estado, foram à Feijoada do Cacau. O senador Dário Berger, um dos nomes do PMDB para 2018, preferiu o desfile na avenida.

Festa na cobertura
Dizem que o Bailinho do Ed, organizado pelo ex-vereador Ed Pereira num dos camarotes mais bem posicionados no prédio da Nega Tide, foi o que mais bombou na Nego Quirido. Mas é aquela história: o que acontece no Carnaval, fica no Carnaval.

Homenagem na avenida
Coronel Paulo Henrique Hemm, comandante da PM, foi um dos homenageados no desfile da Unidos do Herval, em Joaçaba. Sua foto estampou um dos carros alegóricos, junto com as imagens de outras pessoas que também contribuíram com o município, durante sua passagem como comandante regional da PM.

A propósito
Pergunte à multidão que lotou as ruas de Santo Antônio de Lisboa, no sábado, se alguém deixou de brincar por falta de repasse público?

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