"Violência contra mulher é uma questão de saúde pública que diz respeito a todos", diz psicóloga divulgação/Divulgação

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Confira papo rápido com a psicóloga Maira de Souza Flôr: 

Como reconhecer uma situação de violência contra a mulher?

Tenho percebido que as mulheres vítimas de violência, com frequência, não reconhecem que foram violentadas, principalmente quando se trata de algum tipo de violência que não é física, assim como os agressores não reconhecem que coagiram, ameaçaram ou agrediram. As mulheres sentem-se desvalorizadas, impotentes e inclusive culpadas pelos conflitos relacionais, mas não associam que esses sentimentos podem ser decorrentes de algum tipo de violência. Muitas relatam que há violências sutis, mas não menos prejudiciais, que fazem parte da cultura popular tanto dos homens quanto das mulheres. 

Devemos ficar atentos a olhares ameaçadores, tom de voz agressivo, demonstração de força ou poder. Se desejamos transformar essa realidade, é preciso reconhecer quando privilegiamos ou impedimos alguém, por ser homem ou mulher na realização de qualquer função, entre outras situações veladas, que acontecem diariamente e que são precursoras da violência de gênero. Precisamos educar nossas crianças com consciência, quebrando esses valores subliminares de privilégios entre homens e mulheres. 

Como identificar, prevenir e transformar?

Um dos principais motivos que levam as pessoas a procurar uma consulta psicológica são os conflitos relacionais. Vejo todos os dias no consultório pessoas que experimentam sentimentos intensos de sofrimento quando se indispõem com as pessoas que amam. Esses sentimentos são ainda mais prejudiciais quando as pessoas estão em uma relação de abuso. Na relação de abuso, tanto vítima quanto agressor encontram-se em um ciclo adoecido de ameaça e coerção que se inicia de forma indireta, velada e gradativamente vai se intensificando. 

As situações de conflito geram tensão; uma pessoa busca apaziguar a situação e a outra costuma culpabilizar, até que um lado se reconhece como responsável pela situação de conflito; se segue uma sensação calma, na qual o conflito aparentemente desapareceu, até que o ciclo comece outra vez em uma nova situação. Tanto vítimas, quanto agressores encontram-se em estado de desequilíbrio e precisam de intervenções de profissionais da saúde, de assistência social e da justiça, dependendo do estagio do ciclo em que as pessoas se encontrem. O ciclo vicioso de abuso, pode ser rompido. Esta é uma questão de saúde pública que diz respeito a todos.

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