Para a história, Dilma e Temer serão lembrados por suas semelhanças Marcelo Camargo/Agência Brasil/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Agência Brasil

A ex-presidente Dilma Rousseff e o atual Michel Temer diferem em quase tudo. São espécie de vinagre e azeite desde as convicções políticas até as crenças pessoais. Mas para efeitos de história, os dois integrantes da chapa vencedora das eleições de 2014 serão lembrados por semelhanças indissolúveis. Ambos viram os respectivos governos agonizarem diante das denúncias de corrupção. E foram a nocaute por conta do vazamento de gravações investigadas pela Lava-Jato.

Uma conversa telefônica entre a então presidente Dilma e Lula, revelada no dia 16 de março de 2016, foi a gota d'água que fez transbordar o copo do impeachment. O diálogo sobre a nomeação preventiva para o cargo de ministro para garantir foro privilegiado a Lula teve o efeito um cruzado direto no queixo do governo petista, já combalido e sem forças para o embate político. Um mês depois, dia 17 de abril, numa das sessões mais caricatas da história, a Câmara selava o impedimento de Dilma Rousseff, depois confirmado no Senado.

Passado pouco mais de um ano, novamente uma gravação envolvendo a figura do presidente da República escancarou aos brasileiros as entranhas do modus operandi em Brasília. A diferença entre os dois episódios foi o efeito devastador provocado pelas informações do colunista Lauro Jardim, de O Globo, nas últimas horas.

Importante lembrar que nem Polícia Federal nem Ministério Público Federal ou nem o próprio Supremo Tribunal Federal, todos conhecedores dos áudios, não negaram oficialmente o teor das gravações antes das divulgações no final da tarde de ontem. Por mais que Temer e os ministros denunciados também esperneiem, o capital político do atual presidente se esvaiu pelo ralo do Planalto numa velocidade sem precedentes.

Sem popularidade ou legitimidade, ninguém duvida da queda de Temer. A dúvida é sobre quando será e o que virá pela frente.

A boa notícia, mais uma vez, é que as instituições seguem trabalhando, tendo a Constituição Federal como norte para todos os passos, mesmo neste terreno pra lá de movediço em que o Brasil chafurda. O artigo 81 da Constituição é claro sobre a obrigatoriedade de convocação de eleições indiretas, convocadas pelo presidente da Câmara, em caso de vacância do cargo de presidente.

Foi também graças à imprensa livre, mesmo com suas imperfeições, que o Brasil está sendo passado a limpo. A Polícia Federal botou por terra o discurso da seletividade. Tomara que depois destas novas revelações, Temer não haja à Trump, quando demitiu o diretor do FBI. Aliás, a autonomia da PF é urgente, mas a PEC que trata sobre o assunto segue parada no Congresso. Caso contrário, todos os flagrados seguirão alegando que não sabiam, não viram e não ouviram nada. Até o próximo play do gravador.

Reunião de emergência
Claudio Lamachia, presidente nacional da OAB, convocou os conselheiros federais da entidade para uma reunião de emergência amanhã a partir das 15h, em Brasília. Na pauta, a situação político-institucional brasileira. Nos bastidores, a tendência é de que a OAB se manifeste oficialmente pelo  afastamento do presidente Michel Temer. SC conta com três cadeiras no conselho federal. Tullo Cavallazzi Filho já solicitou ao advogado Paulo Brincas, presidente da OAB-SC, um parecer técnico para levar ao encontro sobre o afastamento de Temer.

Boca suja
As conversas gravadas de Aécio Neves (PSDB-MG) também revelaram uma semelhança entre o tucano e o ex-presidente Lula até então desconhecida. Ambos abusam dos palavrões durante os diálogos informais.

Time de ouro
A Camerata Florianópolis fará concerto dos Beatles dias 31 de maio e 1º de junho, no CIC. Na foto, a reunião do timaço de músicos que acompanhará a orquestra. Da esquerda para a direita Richard Bondan, Maurício Peixoto, Duda Medeiros, Dudu Fileti, Maestro Jeferson Della Rocca, Mateus Schaffer, Iva Giracca, Paulo Back e Alberto Heller, que fez os arranjos.

Data venia
O presidente da OAB/SC, Paulo Brincas, sobre a polêmica escolha do novo desembargador do TJ-SC, disse à coluna que havia duas correntes com posições distintas em relação à participação de Alex Santore no processo e representantes das duas correntes tiveram a chance de fazer a defesa de suas teses, num debate transparente e transmitido ao vivo pela internet. Venceu a tese que obteve mais votos. "Ganhar e perder faz parte do processo e em órgãos colegiados o respeito à decisão da maioria é fundamental", encerrou o presidente. "Agora, é olhar para frente."

Delação em risco
O vazamento do conteúdo das delações premiadas pode invalidar a própria colaboração. É o que diz o advogado Francisco Ferreira, com base na Lei que trata do assunto (12.850/13), segundo a qual "o acordo de colaboração premiada deixa de ser sigiloso assim que recebida a denúncia". "Não é o que se tem observado, inclusive de parte do próprio Supremo Tribunal Federal (STF). A divulgação tem servido para amedrontar os depoentes em sequência, o que, a meu ver, pode ser contraproducente, haja vista que a publicidade deveria tonar inválida a delação, além de configurar o crime de violação de sigilo funcional", pontua Ferreira.

Contraponto
Assessoria da Justiça Federal em Florianópolis envia à coluna informação do juiz Marcelo Krás Borges sobre a decisão para demolir restaurante na Barra da Lagoa: diz que a ação foi proposta pela Floram e não pelo MPF e que a perícia concluiu que o restaurante foi concluído em 1995. A perícia demonstrou inequivocamente o dano ambiental causado e atestou que não se trata de área urbana consolidada.

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