Futuro da ponte Hercílio Luz é incerto Felipe Carneiro/Agencia RBS

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Matéria assinada pelo repórter Anderson Silva, do DC, revelou que a pouco mais de um ano do prazo para reinauguração da Hercílio Luz, governo do Estado e prefeitura de Florianópolis ainda não chegaram a um entendimento definitivo sobre a serventia da reforma mais cara da história de Santa Catarina. Raimundo Colombo sonha em ter o nome lembrado pela reabertura da ponte depois de 30 anos. Mas também acredita que ajudará a reduzir os gargalos da Capital com uma das piores mobilidades urbanas do país: leia-se usar a estrutura para trânsito de ônibus e carros entre a Ilha de SC e o Continente. Já a prefeitura de Florianópolis entende que, num primeiro momento, o ideal seria somente liberar para ciclistas e pedestres.

Engana-se quem imagina apenas uma divergência conceitual sobre o melhor aproveitamento da Velha Senhora entre o governador e o prefeito Gean Loureiro. O pano de fundo desta disputa está pertinho da cabeceira insular da ponte, mais especificamente na Assembleia Legislativa. Atende pelo nome de Projeto de Lei Complementar 007. O Centro Administrativo está empenhado na aprovação da proposta que altera as funções da Superintendência de Desenvolvimento Regional da Região Metropolitana de Florianópolis (Suderf) de órgão consultivo para executivo. Ou seja, transfere a tinta da caneta dos prefeitos em áreas comotransporte coletivo e saneamento para o Estado, sob a gestão direta da Suderf, que administraria a região. Por óbvio, os chefes dos executivos municipais não querem nem ouvir falar. Adeliana Dal Pont, prefeita de São José, escancarou a questão durante audiência pública em que não poupou críticas a Cássio Taniguchi, da Suderf. Ele, elegantemente, silenciou.

Por mais que se tenha ressalvas em relação ao modelo de contrato usado pelo Estado, sem licitação para tocar a recuperação, o fato é que a obra está andando em ritmo acelerado. Enquanto isso, a prefeitura, responsável pelas mudanças viárias nas cabeceiras da ponte, promete apresentar um estudo para setembro. Quem conhece um pouquinho da burocracia brasileira sabe que já está atrasada. Técnicos do município e do Estado até estão conversando, mas como a turma do andar de cima não se entende, pouco avançam. Sem definir o que vai passar na ponte, não se monta projeto executivo para as melhorias nos acessos. Logo, não há previsão de edital para contratação para obras. Melhor nem falar dos custos. 

O Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Florianópolis (Setuf) até agora não foi chamado nem sequer para palpitar sobre as eventuais linhas que poderiam passar pela Hercílio Luz. E se tem alguém que entende do riscado são eles. No ritmo em que anda o impasse, mesmo que tratado de forma velada, corre-se o risco de assistirmos a um mico monumental em 2018. O foguetório para reinauguração de uma ponte que consumiu dinheiro público ao longo de décadas, mas reaberta só para bikes e pedestres, mesmo que tenha capacidade estrutural para muito mais. Neste caso, bastava botar uma cerca nas laterais e liberar do jeito que está. Não precisava gastar mais de R$ 300 milhões desde os anos 1990.

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