Burocracia e preconceito ameaçam calendário de eventos de Florianópolis Marco Favero/Agencia RBS

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Vereador Vanderlei Farias, o Lela (PDT) foi à tribuna da Câmara para criticar duas recentes decisões da secretária de Segurança Pública e comandante da Guarda Municipal de Florianópolis, Maryanne Mattos. A primeira foi a repressão da GMF durante a chamada batalha do rap, um encontro de jovens, a maior parte da periferia, que se encontra às quintas-feiras no largo da Alfândega para uma competição de rimas. Uma típica manifestação cultural urbana que deveria ter apoio e incentivo da prefeitura como forma de inclusão social e ocupação dos espaços públicos. Sob a alegação que havia consumo de álcool e drogas, além de não cumprir toda a burocracia legal, o evento foi interrompido no dia 1 de setembro.

A outra denúncia, ainda mais grave, trata de documento em que a comandante da Guarda Municipal determina, oficialmente, que tipo de música pode ser executada durante a realização parada da diversidade. No ofício ela diz que está autorizado tocar MPB e música pop, mas são proibidas as batidas eletrônicas, as preferidas do público LGBT. Além de ultrapassar os limites legais da função, a postura governamental, de tão dura, equipara-se aos anos de chumbo.

A Parada deveria ter ocorrido neste fim de semana, dia 10, mas diante da, imposição, os organizadores decidiram cancelar. Vale lembrar que o local também já foi transferido, gerando outra polêmica. Não será mais na tradicional Avenida Beira-Mar Norte, mas no Bairro Estreito, região continental.

Tais decisões escancaram o despreparo de gestores para lidar com a organização de eventos em Florianópolis, uma cidade que se diz turística mas é incapaz de receber, por exemplo, uma maratona, sem que os ânimos prós e contras fiquem alterados. Falta o básico, que é capacidade de diálogo e planejamento.

As secretarias de Turismo, junto com a de Cultura e Esporte, deveriam ser as primeiras a trabalhar para facilitar a liberação de tais eventos. O público LGBT, por exemplo, é um dos que mais injeta recursos nos cofres do município a cada parada da diversidade. O que, na prática, se reverte em mais arrecadação para os cofres públicos.

Por conta da onda da burocracia e preconceito escancarado, estamos retrocedendo no que Floripa tem de melhor: receber a todos de braços abertos.

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