Promessa de orla despoluída impulsionará revitalização da Beira-Mar Norte Diorgenes Pandini/Diario Catarinense

Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

Imagine a seguinte cena: cruzar do continente para a Ilha de SC pela ponte Hercílio Luz para aproveitar um ensolarado domingo na orla da Beira-Mar Norte. Um programa com direito a prática de esportes na areia, banho de mar e depois saborear um almoço com amigos e familiares em um dos restaurantes ou bares instalados ao longo da avenida totalmente revitalizada. Há pelo menos 40 anos tal roteiro mais parece o enredo de ficção científica diante do tamanho descaso para solucionar dois problemas icônicos na história contemporânea da Capital.

Mas por incrível que pareça pode se tornar realidade já a partir de 2019. Ou como diria o manezinho, logo ali. No mesmo dia em que foi concluída a etapa mais sensível da restauração da ponte, com a transferência de carga, prefeitura e Casan anunciaram o lançamento de edital para despoluição da orla da Baía Norte. A coluna antecipou na edição de quarta com exclusividade todos os detalhes do projeto que surpreendeu não somente pela simplicidade, mas por já ter relatos de sua eficiência.

Na prática, trata-se do mesmo modelo aplicado no Rio do Braz, com a instalação de pequenas estações de bombeamento na saída de cada um dos 20 canais de esgoto pluvial que desembocam direto no mar. Essa água contaminada será jogada para Unidade de Recuperação Ambiental (URA Beira-Mar) e devolvida ao mar sem coliformes fecais.

Com o passar dos anos, o adensamento urbano em uma das áreas mais valorizadas de Florianópolis só fez aumentar o problema da contaminação. Apesar de estar coberta com 100% de rede de esgoto sanitário, cerca de 50% das ligações ainda apresentam algum tipo de irregularidade, despejando parte dos dejetos diretamente na costa.

Durante a entrevista coletiva para apresentação do projeto, o empresário Fernando Marcondes de Matos era um dos mais entusiasmados com a perspectiva de descontaminação. "É uma ação tão importante para a cidade que este 11 de outubro deveria virar feriado", exagerou.

O também empresário Waltinho Koerich fez questão de ressaltar o impacto para o turismo e desenvolvimento econômico. "Imagine uma marina numa praia com balneabilidade e ainda mais na Beira-Mar", disse. Sem contar, como bem lembrou o vereador Tiago Silva (PMDB), do benefício social, facilitando o acesso aos moradores do Maciço do Morro da Cruz ao mar quase no quintal de casa.

O prefeito Gean Loureiro, convencido pelos técnicos da Casan sobre a eficiência do projeto, pretende determinar à equipe da secretaria de Turismo que inicie os estudos para completa revitalização da Beira-mar Norte, com eventual engordamento da faixa de areia, ampliação da área para pedestres e ciclistas e licitação para implantação de bares e restaurantes.

É tudo ainda muito embrionário e a precaução recomenda que não se sonhe alto demais. Mas o fato é que a chance de Florianópolis reinventar a utilização da Beira-Mar Norte e de praias, como a de Fora, nunca estiveram tão próximas.

Os mais céticos dirão que só acreditam vendo, no melhor estilo São Tomé. Motivos para tamanha descrença não faltam. A principal diferença, agora, é que a Casan tem projeto, estudo de viabilidade, dinheiro em caixa e anunciou os prazos. Caberá à sociedade exercer seu sagrado direito de fiscalização e exigir a máxima transparência. Afinal, promessa é dívida.

Outro olhar
Digo Laureano, pescador artesanal, envia a seguinte observação à coluna: "Moro na Costa da Lagoa. Como continuar nessa comunidade tradicional pesqueira, exercendo minha profissão de vida, se não consigo ir ao mar. Se essa nova ponte (do canal da Barra) gera impacto, a antiga também gera. Pra resolver é simples: arranca as duas! Ou se atende a necessidade de ir e vir de todos ou arranca tudo e planta um pé de sobreiro para fazer uma grande sombra e o pessoal passar o tempo ali, imaginando como seria uma simples ponte que nos permita trabalhar. É pedir muito?"

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