Escolha a sua máscara Gnuckx/Wikicommons

Foto: Gnuckx / Wikicommons

Qual máscara será a preferida dos foliões no Carnaval que está chegando?

A do Eike Batista, de "picareta mais rico do mundo"? A do ex-governador Sérgio Cabral, o "colecionador de jóias"? A do encrenqueiro Eduardo Cunha, o "Mister Propina"? A de Renan Calheiros, modelo de "Senador Honesto"?

Façam suas escolhas. Máscara é que não vai faltar, principalmente depois que vierem à tona os políticos denunciados pelos 77 delatores da Odebrecht. A própria Odebrecht não mereceria uma máscara de "empresa modelo" para suas "operações estruturadas"?

Até nos bailes em sociedades privadas as "posturas" exigiam a identidade do mascarado, num tempo em que a máscara não pretendia ocultar criminosos.

O Carnaval da Desterro do século XIX era todo regulamentado, obedecia a "códigos e posturas" e era representado por "Sociedades" como a dos "Bons Arcanjos" e a dos "Diabos a Quatro".

Os sócios formavam grupos e préstitos, saiam às ruas "soltando fogos de bengala" e compareciam fantasiados e mascarados aos clubes sociais, como o Doze de Agosto, nos idos de 1884.       

O jornal "O Argos" publicou, no mesmo ano, uma relação das fantasias mais usadas pelos foliões da cidade, as "roupas" que vestiam os mais abonados e até os destituídos.       

"Do que se fantasiavam os desterrenses"? – perguntou o jornal.       

E informou:       

- A gente fina dessas sociedades se fantasia de Conde, Príncipe e Duque -  todas as figuras da nobreza – e também de Mouros, Pierrots e Dominós.                        

                                                          ***        

Uma certa Sociedade Carnaval Desterrense exagerou, no ano de 1861, como nos conta o grande historiador de "Nossa Senhora do Desterro – Memória e Notícia", Oswaldo Cabral:      

- Tantas foram as regras que até os mascarados acabaram identificados nas ruas – mesmo os encapuzados!      

Nas noites de bailes, as regras eram rígidas, como a que "nomeava" um sócio responsável:       

- No baile noturno haverá um sócio "reconhecedor", a quem os senhores sócios que forem mascarados serão obrigados a se apresentar; com o fim de reconhecimento de identidade.                     

                                                             ***      

Para o cúmulo da  bizarrice, a mesma Sociedade pedia que os mascarados "Não fossem identificados pelos foliões nas ruas", em razão de "algum tique, hábito ou vício". E que não tivessem seus nomes apontados ou proferidos ¿em voz alta¿. E se explicava:     

- Não deixa de ser ridículo um mascarado que todo mundo sabe quem é. O "folguedo" perde instantaneamente a sua "graça"...

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