Expectativa pela velha senhora Cristiano Estrela/Agencia RBS

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

O dia 13 de maio de 1926 amanheceu carrancudo, fazia frio, chovia a cântaros. A inauguração da terceira ponte de maior vão livre do mundo – atrás apenas das novaiorquinas Brooklyn Bridge e Manhattan – atraiu uma pequena multidão de ilhéus de guarda-chuva. E pelo menos um "fantasma": o poeta Cruz e Sousa, representado pelo sibilante Vento Sul.

Não faltaram, é claro, discursos, foguetes e bandas de música. O primeiro discurso foi do Secretário de Justiça, Ulysses Costa, que relatou a saga da construção e enalteceu o patrono falecido, Hercílio Luz.  Depois, foi a vez do governador em exercício, Antônio Vicente Bulcão Vianna, presidente da Assembléia.

Quase 91 anos depois, ao cabo de uma vida sem manutenção, há uma torcida para que, finalmente, a velha ponte pênsil tenha os seus "meniscos¿ restaurados e os seus olhais trocados, para que ressuscite como um equipamento de uso urbano e monumento histórico.

Indiscutível mérito pela perseverança – e, finalmente, a feliz escolha técnica de uma empresa, a Empa, do grupo português Teixeira Duarte - na condução de uma restauração de altíssima complexidade.

Mas o que ninguém sabe é qual será o seu destino depois de recuperada. Em tempos de ausência de planejamento e visão prospectiva do futuro - com um Ipuf esvaziado - não se sabe qual o "encaixe" do tão esperado artefato ao conflagrado trânsito da ilha e do continente.

Com a velha senhora incorporada à malha urbana – reconheça-se a "façanha" governamental, depois de tanto tempo enxugando gelo - como ficarão os acessos?

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Será aberta ao tráfego geral ou só ao transporte coletivo? Os órgãos supostamente competentes ainda não se pronunciaram depois de uma sugestão de 2013, por um grupo de trabalho instituído para esse fim.

Como recordar é viver, em fevereiro de 2006 a "ordem de serviço" para sua restauração foi celebrada com fogos e orquestra sinfônica. Houve show das baterias das então quatro escolas de samba da cidade – Copa, Protegidos, Consulado e Coloninha – e quase 10 mil pessoas testemunharam o "contrato" – não cumprido – com a empresa Espaço Aberto.

No mesmo espetáculo, apresentaram o "devaneio" do VLT, que cumpriria um trajeto  sobre a ponte. Sem qualquer estudo de viabilidade. Só o "factóide", os confetes e as serpentinas.

A ponte corre o sério risco de ficar pronta - prontinha! -  até mesmo em janeiro do ano que vem, já com os olhais trocados.

O mesmo não se pode dizer dos acessos.

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