Ficou mais difícil Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O novo ministro do STF, Alexandre de Moraes, será um magistrado "garantista", adepto do pétreo conceito segundo o qual o réu é credor de todos os seus direitos, sejam eles razoáveis ou não, desde que consignados em lei e respaldados pela Constituição.

Na prática, significa o retorno dos "garantistas" à tese da inocência presumida até "o trânsito em julgado".

A decisão do STF (com Teori Zavascki) - que flexibilizou esse entendimento, admitindo a prisão do réu condenado em segunda instância - corre o sério risco de ser revogada. O placar era de 6 a 5 contra a procrastinação que beirava a impunidade. Agora, será de 6 a 5 pela "inocência eternamente presumida".

As delações premiadas perderão essa coerção e os políticos na Lava-Jato agradecerão, em hora boa e oportuna. Há uma Sodoma e uma Gomorra delatadas por 77 executivos da Odebrecht, mais o big boss Marcelo e o patriarca Emílio. E depois de uma possível delação de Eduardo Cunha, que seria tão extensa quanto um livro, o que viria? Um céu, um inferno ou o purgatório?

É por essas inconfidências que temem os perfis mais comprometidos do Senado, como os Renan Calheiros, os Romero Jucás e os Jader Barbalhos. E todos os potenciais alcançados pelo longo braço daquela que já é conhecida como a delação do fim do mundo.

Não custa nada sonhar com a emergência de um Brasil decente e renascido. Mas a missão, com os "garantistas", ficou muito mais difícil.

Sonho em sonhar com outro Brasil, depois das delações. Os políticos fariam um mea culpa e se regenerariam. Haveria até casos de haraquiri, à maneira do resgate japonês da própria honra, o sujeito se autoestripando, envergonhado da própria conduta criminosa.

Já imaginaram? Um Brasil limpinho e asseado, tudo de volta aos seus lugares. Bolso passando a ser apenas bolso, cueca voltando a ser só cueca, e não carteira. Os fregueses do Mensalão e do Petrolão fazendo fila no Banco do Brasil. E sabe pra quê? Arrependidos, eles iriam até os guichês da República devolver o alcance indevido...

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Acreditem ou não: no meu sonho colorido, vereadores e deputados fariam aprovar um projeto de lei, de origem parlamentar, tornando voluntária e honorífica a sua atividade cidadã. Todos abdicariam dos salários e das mordomias – até do auxilio-moradia!

Acordarei com o sol e com as cores de uma manhã deslumbrante, as cigarras saudando os novos tempos, os ipês e as buganvílias derramados em roxo e amarelo.

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