Pátria enferma Divulgação/Ver Descrição

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Não, esta que vejo amanhecer neste dia 19 de junho do Ano da Graça de 2017, o 195º da independência, não é a pátria justa e humana que todos sonhamos para habitar uma terra tão bela e generosa quanto a do Brasil.

Não reconheço como a minha pátria esta terra de instituições humanas tão pobres em ética, em compostura, em humanismo.

A minha pátria não é a mesma desses poderosos que estão na saliva de sórdidos delatores, tão corruptos quanto os seus denunciados – um dia aliados na infame missão de assaltar os brasileiros de bem.

A minha pátria não é a que amarga todos os dias um pote de fel, as orelhas vermelhas de tanta vergonha. Mesmo sendo tais delatores criminosos pós-graduados, o que dizer dos representantes do povo, que deles se tornaram reféns?

A minha pátria não é a mesma de certos agentes dos poderes do Estado, que se instalaram em Brasília e se deixaram conspurcar pela corrosão do caráter e pela degenerescência moral.

A minha bela pátria do Brasil não é a roubalheira na Petrobrás, a maracutaia dos propinodutos, a contínua chantagem das bases aliadas, exigindo vantagens para não votar contra os interesses do país.

Não. A minha pátria é a de Vinicius de Moraes nos versos imortais de "Pátria Minha":

"Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa/ Que brinca em teus cabelos e te alisa/ Pátria minha, e perfuma o teu chão.../Que vontade me vem de adormecer-me entre teus doces montes, Pátria minha/ Atento à fome em tuas entranhas/ E ao batuque em teu coração/ Não te direi o nome, Pátria minha/ Teu nome é pátria amada, é patriazinha, não rima com mãe gentil/ Vives em mim como uma filha/ Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez..."

                                                                  *** 

A nossa pátria não convive bem com a cleptocracia, nem aceita a vitória da corrupção.

Espanta que um empresário criminoso, habituado a pilhar os cofres de um banco público, detenha dois títulos tão antípodas: o de bandido com fé pública e o de  merecedor de amplo perdão judicial, capaz de poupá-lo de 2 mil anos de prisão.

No Brasil, Barrabás está solto e denuncia todos os ladrões que, um dia, subiram a colina dos poderes do Estado, habilitando-se à crença e ao desencanto dos representados.

Ao povo, resta viver numa desolada esquina chamada "esperança".

E chorar de vergonha, enquanto espera pelo Nazareno que o redimirá, sem deixar de pagar o imposto nosso de todo dia aos Pilatos e aos Herodes da República.

Acompanhe as colunas de Sérgio da Costa Ramos

Pra não esquecer

A ética e os lordes

O "País-brás"

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