Breves presidentes Beto Barata/Fotos Públicas

Foto: Beto Barata / Fotos Públicas

No mundo do futebol diz-se que uma equipe é de craques quando a galera "sabe escalar de cor e salteado".  Que mundo seria, então, o da política brasileira, se o cidadão não sabe sequer quem será o presidente da República daqui a 15 minutos?      

Depois de Dilma, defenestrada, veio Temer, que gosta de viver perigosamente, escolhe mal os amigos e corre o risco de ficar conhecido pelo epíteto de "o breve".      

Se Temer cair, assume Rodrigo Maia, cuja presidência indireta poderá se tornar ainda mais efêmera, não fosse ele mais um investigado da Lava-Jato. Se Maia também experimentar um "assento móvel", seu sucessor legal será Eunício de Oliveira,o presidente do Senado.      

Eunício, quem? Aquele mesmo, cujo assento foi ocupado pelas senadoras "estudantis", na ópera bufa da semana passada. Será que na "Presidência Eunício" a cadeira estaria sempre disponível para aqueles glúteos, igualmente investigados?      

De todos os "sucessores legais", só Carmen Lúcia, do STF, estaria a salvo das suspeições que infestam a atmosfera poluída de Brasília. Mas a ministra já disse que não quer saber de presidência, "serei mais útil onde estou".      

Meu Deus!  Vivemos numa República ou numa Ópera? Do alto do seu humor genial e cáustico, Eça de Queirós ironizou o nascimento da República brasileira, em novembro de 1889:      

— De repente, o marechal Deodoro fez um sinal com a espada – e pronto! Inaugurou-se uma República novinha, retratada num quadro de Pedro Américo...                             

                                                                          ***      

Mal sabia o Eça que a República teria várias versões e estaria sempre em processo de "acabamento". No Brasil, tudo é campanha política.       

Lula, condenado a nove anos e meio de prisão, está em campanha deslavada. É como se o palanque fosse o primeiro recurso judicial contra a sentença de Sérgio Moro. Rodrigo Maia, em franca campanha para a presidência -  primeiro interina e depois indireta - de manhã jura fidelidade a Michel Temer, de tardinha conspira com os deputados, captando votos para o pleito parlamentar...      

Nesta República as palavras adquirem inusitados significados em relação à sua semântica universal. A palavra "oposição", por exemplo. No mundo inteiro ela designa aquela parte do estrato político que se opõe ao governo – mas não ao país. No Brasil, a oposição é tão fluida e mutante, que tanto pode estar no apostolado como no lado oposto.      

Assim como o PMDB. De dia é governo, de tardinha, oposição. E para voltar a ser governo, depende do número de cargos que estiverem a sua disposição...

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