A política vive de gestos e o vice-governador Eduardo Pinho Moreira praticou um dos grandes ao anunciar apoio à pré-candidatura do deputado federal Mauro Mariani ao governo estadual em 2018, na última sexta-feira. Quem acompanha o PMDB catarinense sabe que ambos lideraram grupos antagonistas na geografia interna da legenda e que foram para o embate diversas vezes. Com o gesto, Pinho Moreira reforça a unidade partidária e dá fim à ideia de que o excesso de nomes poderia acabar prejudicando o partido.

A carta na manga de Eduardo Pinho Moreira
O acaso e a construção política do fim da aliança entre PSD e PMDB
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Talvez não tenha sido por acaso que o vice-governador escolheu um roteiro peemedebista no Sul do Estado, sua base política, para anunciar que deve ser ¿o principal cabo eleitoral¿ de Mariani no próximo ano. Outra coincidência não deve ser ignorada: a sexta-feira marcava um ano para o início do período de homologações oficiais das candidaturas.

É tempo suficiente para que muita coisa mude. Mas ninguém poderá acusar Pinho Moreira de não ter feito sua parte. Mariani já vinha construindo sua candidatura junto às bases do partido e buscado alianças com outras siglas - especialmente na convivência com bancadas federais. Agora, passa a ter caminho livre. Pinho Moreira, o senador Dário Berger, o prefeito joinvilense Udo Döhler passam a ser meros observadores. Com o apoio público das principais lideranças e a presidência estadual do partido, Mariani só não será candidato a governador se não quiser ou se circunstâncias nacionais modificarem extremamente o quadro.

Por enquanto, o vice-governador garantiu que seu verdadeiro adversário interno, Dário Berger, fique fora do jogo, já que ele também declarou publicamente que seu candidato é Mariani. Em Joinville, Udo Döhler vai continuar esperando ser requisitado caso o partido precise do figurino empresário-político.

Com Mariani definido, o PMDB se iguala no tabuleiro ao PSD do governador Raimundo Colombo. O atual sócio da aliança governista tem o deputado estadual Gelson Merisio como pré-candidato único, mas sujeito a fogo amigo. Ou seja, mesma situação.


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