Apenas duas vezes o PSDB catarinense teve candidato a governador. Em 1990, o partido recém-fundado alcançou minguados 3,5% do eleitorado com o então senador Dirceu Carneiro, quarto colocado na eleição que o pefelista Vilson Kleinübing venceu ainda em primeiro turno. Depois de um hiato de 14 anos, o senador Paulo Bauer alcançou quase 30% dos votos e por muito pouco não levou para o segundo turno a disputa com Raimundo Colombo (PSD).

Apoio a Mariani é gesto de Pinho Moreira pela unidade do PMDB
Reforma política: o distritão é uma solução simples e equivocada
Leia outros textos de Upiara Boschi

Nas outras cinco eleições para o governo do Estado, os tucanos foram satélites de projetos de poder alheios. Seja com a esquerdista Frente Popular (1994), seja com a dupla Esperidião Amin/Jorge Bornhausen (1998), seja com Luiz Henrique da Silveira, depois Colombo (2002, 2006, 2010), o PSDB catarinense gravitou. Na última disputa, a candidatura de Bauer viabilizou-se mais pela escolha de Colombo de apoiar a reeleição de Dilma Rousseff (PT) à presidência do que por um desejo da base tucana por candidatura própria.

Desta vez, algo parece diferente no ninho. Pelo menos três tucanos de farta plumagem se movimentam pela consolidação de seus projetos para 2018. Além de Bauer, embalado pelo recall da última votação, o reeleito prefeito blumenauense Napoleão Bernardes e o deputado estadual Marcos Vieira trabalham na construção de protagonismo. Mesmo que não resulte na terceira candidatura própria do partido ao governo estadual, os movimentos indicam que o partido almeja ser sócio principal da aliança que compuser - e não apenas satélite.

Com o PSD e PMDB com seus pré-candidatos definidos - Gelson Merisio (PSD) e Mauro Mariani (PMDB) - os tucanos abrem o leque e as conversas para composição. No final de semana, Bauer reafirmou o desejo de concorrer ao governo, mas admitiu que seria ¿uma honra¿ ser o primeiro senador reeleito da política contemporânea catarinense. Gestos de concessão, neste momento, são formas de manter abertas as portas de diálogo.

Em outra ponta, Marcos Vieira usa a força que têm junto à base para também construir um projeto majoritário - e para isso assume inclusive a condição de pré-candidato a governador. Depois do susto com a abertura do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar supostas doações em caixa dois da Odebrecht na campanha de 2012, Napoleão Bernardes voltou a andar o Estado para proclamar realizações que levaram à sua reeleição ano passado. Se superar esse entrave, traz um perfil de renovação e experiência que seria o sonho de muito marqueteiro.

O crescimento nas eleições municipais do ano passado e as seguidas votações alcançadas pelos presidenciáveis tucanos no Estado deram ao partido o direito de sonhar mais alto. O apoio da sigla é cobiçado por pessedistas e peemedebistas. Tudo indica que tirar o PSDB da eleição do ano que vem custaria pelo menos a posição de vice-governador e uma das vagas ao Senado.


 Veja também
 
 Comente essa história