Há quase seis anos, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) elegia para comandar a reitoria uma candidatura vinculada à esquerda do campus. Roselane Neckel, ex-diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, era também a primeira mulher no cargo e interrompia a continuidade do grupo político que comandava a UFSC desde 1996 — com Rodolfo Pinto da Luz, Lúcio Botelho e Álvaro Prata.

Seu mandato de quatro anos foi marcado por polêmicas de gestão, críticas da direita e da esquerda do campus e por um amargo quarto lugar na disputa pela reeleição. Curiosamente, a Operação Ouvidos Moucos é subproduto de outra marca da gestão da ex-reitora: o questionamento aos atos praticados nas administrações dos antecessores.

Vitória de Cancellier devolve o poder na UFSC aos herdeiros do rodolfismo
Disputa na UFSC manda esquerda do campus para o divã

Na época, professores e servidores ligados às gestões anteriores queixavam-se de havia caça às bruxas, como se os novos ocupantes da reitoria quisessem passar a limpo o passado da universidade. Em 2014, em entrevista ao DC, Roselane negou perseguição, mas afirmou que "a única forma de se modificar uma cultura organizacional que durante muito tempo baseou-se no 'sempre foi assim', é avaliar cuidadosamente como as questões foram feitas". 

Roselane hoje é passado. A vitória de Luiz Carlos Cancellier em 2015 devolveu ao poder o grupo alijado na eleição anterior. Entretanto, o espírito da gestão da ex-reitora resiste em uma pessoa: o corregedor-geral Rodolfo Hickel do Prado. Foi ele que resistiu às supostas pressões contra a investigação de irregularidades no programa de ensino à distância e que municiou a Polícia Federal com os indícios que levaram ao afastamento de Cancellier do cargo e sua prisão por um dia, acusado de atrapalhar a apuração das possíveis fraudes. 

Foi na gestão de Roselane que o Conselho Universitário autorizou a criação da Corregedoria-Geral da UFSC, em agosto de 2014. O mesmo conselho aprovou os nomes dos primeiro integrantes e a lista tríplice para o cargo de corregedor-geral apenas em novembro de 2015, quando ela já tinha sido rejeitada nas urnas do campus. Servidor de carreira da Advocacia-Geral da União, Hickel do Prado foi empossado no cargo no dia 4 de maio de 2016 — exatos seis dias antes de Cancellier assumir a reitoria. 

 Veja também
 
 Comente essa história