A palavra ambulancioterapia que estampou a manchete da edição desta quarta-feira do Diário Catarinense entrou para o dicionário político do Estado nas eleições de 2002. Considerado azarão no início da disputa contra o então governador Esperidião Amin, o peemedebista Luiz Henrique da Silveira chamava assim o transporte de pessoas doentes para tratamento em hospitais de Florianópolis. 

Especial: Saúde em crise

A ambulancioterapia era um dos exemplos máximos da concentração do poder público na Capital e da necessidade de promover uma descentralização administrativa, mote da campanha de Luiz Henrique. Ele venceu uma eleição improvável, foi reeleito quatro anos depois pilotando uma aliança mais improvável ainda, deu suporte para que um aliado fosse seu sucessor como governador do Estado. E a palavra ambulancioterapia ainda é manchete.

O aliado ajudado por LHS era Raimundo Colombo (PSD). Em 2010, em sua primeira candidatura ao governo, seu discurso mais emblemático era aquele em que dizia que a saúde seria a prioridade número um, número dois e número três. Não era à toa. Todas as pesquisas já apontavam a saúde como a preocupação maior dos catarinenses — muito à frente das demais. 

Quanto anos depois, o governador foi reeleito falando muito em saúde, enfatizando na ampliação das estruturas. Na peça de marketing, o locutor dizia "Colombo constrói 10 novos hospitais". Na verdade, eram reformas, ampliações e anexos em cinco hospitais estaduais que já existiam, repasse de recursos para obras em três unidades filantrópicas e para construção de um hospital municipal e outro vinculado a uma universidade. 

Foi dessa forma marqueteira que se discutiu a saúde, maior preocupação dos catarinenses, nas disputas eleitorais dos últimos 15 anos. Neste período, responderam pela pasta Fernando Coruja (PPS, hoje PMDB), Dado Cherem (ex-PSDB), Carmen Zanotto (PPS), Dalmo Claro (PMDB, hoje PSD), Tânia Eberhardt (PMDB), João Paulo Kleinübing (PSD) e, agora, Vicente Caropreso (PSDB). Todos políticos de carreira — iniciada antes ou depois da passagem pela secretaria. 

Desde o começo da semana, os veículos da NSC Comunicação apresentam reportagens sobre a crise vivida na área graças a uma dívida que ultrapassa os R$ 500 milhões. As culpas apresentadas são sempre externas: crise na arrecadação estadual, subfinanciamento federal, judicialização. Entre números abstratos e desculpas gerenciais, aparecem nas reportagens as pessoas que sofrem na pele o que é debatido sob o embrulho do marketing nas eleições e com o discurso da impotência burocrática durante os mandatos. É relembrar que "povo tem nome, rosto e endereço", como dizia Colombo em sua primeira campanha eleitoral.

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