Na última terça-feira, em Braço do Norte, o governador Raimundo Colombo (PSD) foi perguntado sobre quem pretende apoiar na eleição presidencial e deu uma resposta que é quase um mantra em seus mais de 30 anos de vida pública: "para os extremos, eu não vou". A fala ganha peso extra por ter sido expressa após a repercussão da declaração do deputado estadual Gelson Merisio (PSD), pré-candidato de seu partido ao governo, de que observa os presidenciáveis Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSC).  Mais claro, impossível. 

Para onde vai Raimundo Colombo, aliás, continua sendo o grande enigma para o ano que vem. A resposta na entrevista coletiva dada no Sul do Estado traz uma parte mínima dessa resposta. Há mais de um ano que Colombo vem dizendo que gostaria de apoiar o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência. Ao mesmo tempo, Merisio vem construindo uma aliança de partidos que pode prescindir dos tucanos - tem PP, PSB, PSC, entre outros. E que, dependendo da consolidação do projeto, pode servir como isca para atrair o PSDB catarinense em nome de um sólido palanque para Alckmin. Mas não de graça, por antecipação.

Nesse choque, é importante observar a reação de Colombo. Em 2014, Merisio construiu a aproximação com o PP que resultaria em uma candidatura de Joares Ponticelli (PP) ao Senado, com a bênção do governador. O PMDB resistiu, diversos fatores entraram em cena e Colombo não bancou o projeto. Dessa articulação frustrada nasceu a candidatura e a eleição de Dário Berger (PMDB) ao Senado. Na época, Merisio resignou-se com a avaliação de que o candidato a governador é o condutor do processo. Agora, resta saber se essa condução caberá a ele como pré-candidato ou a Colombo como principal liderança do PSD. 

Essa dúvida é fundamental, porque o estilo de ambos é quase oposto. Merisio é confronto, Colombo é conciliação. Na eleição passada, o governador deixou claro um jeito de articular os opostos que consistia em deixar todos brigarem e subir ao palanque com quem sobrevivesse às brigas. 

Os que acreditam que o governador vai tirar de Merisio a condução do processo trabalham com dois cenários. Um deles seria a solução pefelista: o senador Paulo Bauer (PSDB, ex-PFL) ao governo, Merisio ou o deputado federal João Rodrigues (PSD) de vice, Colombo uma das vagas ao Senado, Esperidião Amin (PP) na outra e Paulo Bornhausen (PSB, ex-PFL) na suplência. Essa frente assusta grupos do PMDB que temem isolamento do pré-candidato Mauro Mariani (PMDB) e diminuição das bancadas. Aí surge o segundo cenário: trazer o prefeito joinvilense Udo Döhler (PMDB) de volta ao cenário e tentar reconstruir em torno dele a tríplice aliança. Serão longos meses para Merisio e Mariani.

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