Com diversas citações à morte de Luiz Carlos Cancellier e demonstrações de unidade em torno da pré-candidatura a governador do deputado federal Mauro Mariani, o PMDB catarinense promoveu em Florianópolis na noite desta segunda-feira a 33a edição do projeto 15 em Movimento. A maior parte das principais lideranças do partido no Estado estava presentes no evento, que reuniu cerca de 300 pessoas no auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa.

Estavam lá o governador em exercício Eduardo Pinho Moreira, o senador Dário Berger, os ex-governadores Casildo Maldaner e Paulo Afonso Vieira, a maior parte da bancada estadual do partido e o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (PMDB). Coube a Mariani, presidente estadual do PMDB, encerrar os discursos, conclamando a militância a manter a legenda como a maior do Estado. Ressaltou as diferenças do partido em relação à cúpula nacional peemedebista — envolvida em denúncias de corrupção.

—  Existem maus políticos, é verdade, inclusive no nosso partido. A verdade é que nenhum partido pode apontar o dedo para o outro. Nenhum. Nós do PMDB de SC já nos posicionamos lá em Brasília.  Na reunião da executiva nacional do partido, disse na cara de Romero Jucá (PMDB-RR) e daquela gente: "vocês têm que renunciar, porque não é possível que continuem expondo um partido construído na luta de tanta gente" — afirmou Mariani, lembrando que pediu a renúncia da executiva nacional do PMDB.

Antes de Mariani, o governador em exercício Eduardo Pinho Moreira fez um discurso pela unidade partidário e reafirmou o apoio à pré-candidatura do deputado federal. Disse que os possíveis adversários vão tentar “pressões e intrigas” contra a unidade do partido.

— Mauro, você é o nosso comandante. Vou estar do teu lado. Se eu assumir o governador, você terá em mim o teu maior cabo eleitoral — disse Pinho Moreira, em referência à possibilidade do governador Raimundo Colombo (PSD) renunciar ano que vem para concorrer ao Senado.

O senador Dário Berger também focou seu discurso na força da base peemedebista e no apoio à pré-candidatura de Mariani.

— Estivemos juntos em algumas batalhas. Algumas não vencemos, mas não desanimamos. Sempre defendemos a lógica da candidatura do PMDB. Com isso, vocês me levaram ao Senado e amanhã, certamente, teremos um peemedebista no governo de Santa Catarina.

Encontrado morto na manhã desta segunda-feira em um shopping de Florianópolis, Luiz Carlos Cancellier foi homenageado nos discursos de Mariani, Pinho Moreira, Dário, Ada de Luca, Casildo Maldaner e Paulo Afonso — o mais contundente. Contemporâneo de Cancellier como estudante na UFSC e no governo de Pedro Ivo Campos (PMDB), nos anos 1980, Paulo Afonso disse que o ex-reitor teve um "gesto de coragem, de revolta" e criticou "instituições que sem votos se impõe acima da legalidade". Ao falar de Cancellier, Mariani criticou a "demonização" da classe política.

— É pela política que temos que encontrar o melhor caminho para a sociedade e nossa gente. Não é com intolerância ou pregando o radicalismo, não é querendo criar uma casta de intocáveis ou seres extraterrestres justiceiros.

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