Por Upiara Boschi, interino

Mauro Mariani e a executiva do PMDB-SC
Executiva do PMDB catarinense se reuniu na segunda-feira e decidiu não mandar filiados ou delegado para a convenção nacionalFoto: Simone Sartori / Divulgação

Presidente estadual do PMDB, o deputado federal Mauro Mariani capitaneou a decisão de boicote à convenção nacional do partido, que acontecerá no próximo dia 7 de novembro.  Na semana passada, o parlamentar votou a favor da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) e antes havia feito um pedido de renúncia da executiva nacional - liderada pelo senador Romero Jucá. Pré-candidato do PMDB ao governo do Estado, Mariani garante que as posições não são "discursinho mole" e que não teme retaliação sobre os cargos federais indicados pelos catarinenses.

Leia a entrevista:

Como surgiu essa decisão de boicotar a convenção?
Foi uma decisão praticamente unânime. Orientamos os delegados para que não compareçam, até porque vai ser uma convenção que vai mudar o nome do partido e mais nada de efeito prático. É uma convenção furada. E também deixamos claro nossa disposição de não compactuar com isso.

Na votação da denúncia contra Temer o senhor foi a favor, mas os outros quatro deputados do partido foram contra. Há divisão?
Não há divisão. Eu já tinha me manifestado na reunião da executiva de que caminharia por aí. Até porque quando peço a renúncia da executiva nacional, todos, e a denúncia traz, além de Temer, dois membros da executiva, não seria incoerente de votar contra o que eu pregava. Tivemos um jantar terça à noite e comuniquei.

É um tentativa de apresentar o PMDB de SC como diferente do PMDB de Brasília?
Aí é a leitura que vocês querem fazer. Tá bom, pode ser. Mas eu não sou um homem de atitude, não sou de discursinho mole, para inglês ver. Olhei na cara deles e disse “vocês têm que renunciar”. Se tem uma coisa que não sirvo é para ser frouxo. Quem acompanha sabe que já confrontei Luiz Henrique, já confrontei Eduardo (Pinho Moreira). Não tenho medo de boa briga.

E os cargos federais que o PMDB-SC indicou?
O governo é deles, não é meu. Podem fazer o que quiserem. Se quiserem retaliar, para mim não muda nada. Quem perde é o Brasil, porque são pessoas competentes. 

O principal nome é Vinicius Lummertz, presidente da Embratur. Ele foi avisado da posição?
Claro que conversamos. Se quiserem tirar o Vinicius, podem tirar. Ele faz um grande trabalho, mas o o governo tem que ver o que quer.

O PMDB-SC está rompendo com a gestão Temer?
Precisa ficar claro, não é rompimento com a gestão. É preciso reconhecer que diante do cenário que ele pegou, conseguiu fazer avanços. É só olhar os números. Inflação, desemprego, atividade econômica. O Brasil começa a apontar que saiu da crise. Ajudei em muitas votações nesse sentido. Aí é outra questão. Da primeira votação para segunda, tiveram desdobramentos. Teve dinheiro no apartamento de não sei quem, um monte de outras coisas. E sempre digo o Michel poderia ter dado uma sinalização política. Usado outras pessoas. Por que sempre os mesmos? É sempre a mesma turma. As pessoas que ocuparam espaços em nome do PMDB nos governo Dilma, Lula, são sempre os mesmos. O PMDB tem 2,35 milhões de filiados, será que não tem meia-dúzia que possa ocupar os espaços que não eles mesmos?

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