Durante quase 10 anos, o fim da aposentadoria especial para os ex-governadores catarinenses foi uma luta quase isolada do deputado estadual Padre Pedro Baldissera (PT). Nem mesmo em seu partido a tese tinha respaldo. O padre petista lutou na tribuna e nos tribunais — até hoje tramita sua ação no Supremo contra o benefício.

Este ano, outros nomes se juntaram ao Dom Quixote de Guaraciaba contra esses moinhos de vento que custam R$ 3,8 milhões por ano aos catarinenses. Kennedy Nunes (PSD) defendeu o pagamento vinculado ao período de mandato exercido, evitando que vices que assumem o governo recebam o valor integral. Maurício Eskudlark (PR) queria o fim do benefício para futuros ex-governadores, garantindo apenas assistência médica. As propostas foram reunidas à emenda constitucional de Padre Pedro que extingue o artigo que concede as pensões. 

Sem reação contrária do governo, o assunto avançou. Nas comissões, ficou clara a intenção de acabar com benefício sem prejudicar quem já o recebe. No entanto, na Comissão de Finanças acabou prevalecendo o texto do deputado petista. No final do semestre, o presidente Silvio Dreveck (PP) garantiu que a proposta iria a plenário na volta do recesso.

Agora, o mesmo Dreveck fala em votar até o final do ano e o clima parece diferente. Existem interpretações de que a aprovação do projeto como está leva à insegurança jurídica. Sem o artigo constitucional que determina o pagamento aos ex-governadores, não haveria como fazer o pagamento aos que já recebem. Uma emenda ao texto aprovado nas comissões terá que ser apresentada em plenário, para garantir Antonio Carlos Konder Reis, Henrique Córdova, Colombo Salles, Jorge Bornhausen, Esperidião Amin, Casildo Maldaner, Paulo Afonso Vieira, Eduardo Pinho Moreira e Leonel Pavan, além das viúvas de José Boabaid, Vilson Kleinübing e Luiz Henrique da Silveira. 

Aliás, o vice-governador Pinho Moreira (PMDB) voltou recentemente à lista. Decisão do Tribunal de Justiça em ação de Padre Pedro definiu que ele pode receber a pensão pelos oito meses que governou o Estado em 2006, desde que limitado aos R$ 15 mil que é o salário de governador. Os demais recebem R$ 30.471,11, como os desembargadores.

Em 2007, o peemedebista foi o estopim do debate sobre o tema porque sua aposentadoria foi considerado uma compensação política por não concorrer à reeleição como vice-governador e abrir espaço para que Luiz Henrique colocasse na chapa o tucano Leonel Pavan — outro aposentado com apenas oito meses de governo. Se não tivesse sido usada como moeda política, talvez as pensões não tivessem despertado tamanha polêmica.

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