Os 15 anos da última vitória da oposição em Santa Catarina Jakson Zanco / Divulgação/Divulgação

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 Em condições normais, 20.724 votos não são suficientes para eleger sequer um deputado estadual. Há 15 anos, essa diferença mínima, 0,68% do eleitorado da época, determinou a última vez que os catarinenses elegeram a oposição. Invertendo toda a expectativa e o próprio cenário da campanha, Esperidião Amin (PPB) sofreu uma virada considerada impossível para o azarão Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

Desde então, passadas outras três eleições estaduais, Santa Catarina vive sob a égide da aliança política construída pelo peemedebista, que morreu em maio de 2015 - poucos meses depois de trabalhar pela reeleição do governador Raimundo Colombo (PSD). Para Luiz Henrique, existiam dois tipos de eleição: morro acima e morro abaixo. O primeiro tipo foi justamente a vitória contra Amin, na época candidato à reeleição e sustentado por uma ampla aliança política. Morro abaixo foram as eleições seguintes, quando conseguiu compor a coligação com PSDB e PFL (depois DEM, depois PSD), a chamada tríplice aliança, isolando os adversários.

Em 27 de outubro de 2002, no entanto, Luiz Henrique e o PMDB subiram o morro graças a um impulso do PT e derrubaram o favorito. A primeira eleição de Lula à presidência teve forte impacto no Estado. No primeiro turno, o petista teve entre os catarinenses o maior percentual do Brasil e o partido elegeu as maiores bancadas federal e estadual, além de colocar Ideli Salvatti no Senado. O primeiro turno de LHS, em chapa pura com Eduardo Pinho Moreira (PMDB), consistiu em sobreviver ao avanço de José Fristch (PT) e garantir uma vaga no segundo turno - o candidato petista ficou apenas 2,75% atrás. 

Se no primeiro turno o PT foi ameaça, no segundo foi fundamental para a virada. O último comício de Lula naquela eleição foi em Florianópolis, endossando LHS e ajudando a reduzir a vantagem de Amin na Capital. A aliança entre petistas e peemedebistas não se confirmaria na gestão do governo - em grande parte por intransigência de lideranças do próprio PT.

Passados 15 anos da última vitória oposicionista, os catarinenses vivem um cenário político em que o grupo que governa o Estado desde então se esfacela em diversas pré-candidaturas que ainda não empolgam e que disputam o poder entre si. Houvesse oposição, talvez fosse o grande momento de reviver o que se chamou em 2002 de “os ventos da mudança”. Por enquanto, não há.

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