Os primeiros passos de Júlio Garcia na volta à política Divulgação / Deputado João Rodrigues/Deputado João Rodrigues

Evento na noite de segunda-feira para liberação de recursos às APAEs reuniu o deputado federal João Rodrigues e Júlio Garcia

Foto: Divulgação / Deputado João Rodrigues / Deputado João Rodrigues

A política catarinense anda tão carente de articuladores que a volta de Júlio Garcia ao cenário depois de 10 anos atuando como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado reacendeu esperanças nas mais diversas legendas. A presença dele ao lado do deputado federal João Rodrigues (PSD) em um evento com prefeitos e presidentes de Apaes, na noite de segunda-feira, rendeu conversas e especulações, com cada palavra do ex-conselheiro e ex-deputado ouvida como recados a serem decifrados. 

O encontro foi transmitido ao vivo nas redes sociais de João Rodrigues, que é aliado do presidente estadual e pré-candidato do PSD ao governo, Gelson Merisio, mas também é a maior sombra do correligionário. Exatamente uma semana após deixar o TCE, Garcia disse ser pré-candidato apenas a deputado estadual e apresentou seu papel em 2018.

— Vamos construir ter no nosso projeto as pessoas certas no lugar certo. Se o João não é bom articulador, mas é bom de voto, é popular, nós vamos arrumar um lugar bom para o João. Se eu não sou bom de voto, mas às vezes articulo um pouquinho, vou cumprir o meu papel — disse no encontro.

Ao contrário de Merisio, que se coloca como pré-candidato apenas a governador, Rodrigues está aberto a compor como vice. Seria uma solução para manutenção da aliança PSD/PMDB, desde que os peemedebistas consigam substituir a pré-candidatura do deputado federal Mauro Mariani pela do prefeito joinvilense Udo Döhler - algo que hoje parece impossível de ser feito sem traumas. Tarefa sob medida para quem "às vezes articula um pouquinho".

Procurei Júlio Garcia e perguntei sobre a repercussão do vídeo, mas ele minimizou o encontro.  Disse que foi convidado a participar da cerimônia de repasse de R$ 1 milhão para as Apaes por sua ligação histórica com as entidades - leva seu nome a lei estadual de destina a elas parte dos recursos do Fundo Social. Afirmou que os elogios a Rodrigues são naturais e evitou qualquer frase que pareça recado a Merisio.

— Não estou filiado ao PSD, não posso falar sobre o partido. Por enquanto — afirmou.

Chegou chegando
Roberto Salum (PRB) ganhou uma cadeira na Alesc com a ida de José Nei Ascari para o TCE e mostrou a que veio logo na primeira sessão, na tarde de ontem. Na discussão sobre a proposta que aprova a renegociação da dívida de SC com a União, incluindo dois anos de teto de gastos, ele criticou o relator Jean Kuhlmann (PSD) por "sentar no projeto" e desafiou o governador Raimundo Colombo (PSD): "se quiser me tirar, pode me tirar". Mesmo anunciando voto contra a proposta, brigou também com os servidores presentes na galeria, que chamou de petistas. A brincadeira nos corredores é que Salum forma com Fernando Coruja (PMDB) e Mario Marcondes (ainda PSDB) a "bancada dos bocudos". 

Deputado estadual Roberto Salum
Suplente de deputado estadual, Roberto Salum (PRB) assumiu uma cadeira com a ida de José Nei Ascari para o TCEFoto: Miriam Zomer / Agência Alesc, Divulgação

Pró-forma
O PSDB catarinense lançou manifesto com os pontos acordados na convenção do partido. Entre eles, o apoio à candidatura presidencial do governador paulista Geraldo Alckmin e ao desembarque do partido do governo do presidente Michel Temer. Tucanamente, posicionaram-se com veemência com relação a duas situações que já estavam se encaminhando.

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